“É provável que o Surface Pro tenha sido um produto lançado muito cru, uma versão 1.0 que mereceria, no máximo, um rótulo de beta. Tecnicamente ele é muito bom, possui algumas virtudes, como acabamento e tela indiscutíveis, mas no fim das contas, na hora de trabalhar ou se divertir, ele falha.”

Estas foram as palavras que usamos para descrever o Microsoft Surface Pro em 2013: boas ideias que ainda precisavam de uma execução à altura. Poucos anos depois, a Microsoft acertou a receita – e a concorrência quer segui-la de perto.

No último mês, três das maiores companhias de tecnologia do mundo descaradamente copiaram o Surface, o híbrido de laptop/tablet da Microsoft. A Lenovo anunciou o Miix 700. A Apple anunciou o enorme iPad Pro, com uma capa que incorpora um teclado. E a Dell também está trabalhando em no 2-em-1 XPS 12 que vem com uma caneta stylus. Estes se juntam ao HP Envy X2, lançado há quase um ano, na grande e feliz família de cópias do Surface.

Lenovo, Apple, Dell, Hewlett-Packard — todas se inspirando no Surface.

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Enquanto três destas máquinas — o iPad Pro, o Miix 700 e o Envy X2 — são todas bem reais, o Dell XPS 12 ainda vive em rumores. Em um vazamento divulgado pelo blog de tecnologia alemão Giga, o XPS 12 parece até mesmo ultrapassar o Surface Pro 3 em alguns aspectos, incluindo uma tela com resolução 4K, bordas mais finas e Thunderbolt 3 — basicamente um conector USB Type-C melhor.

Mas não é por isso que as pessoas querem um desses. É pela promessa de portabilidade e potência. Um design fino e pequeno que pode trabalhar tanto quanto um tablet quanto um laptop. Isso mostra o futuro das interfaces de toque, seja pelo nosso dedo ou por uma caneta. À medida que laptops seguem na interminável marcha de se tornarem cada vez mais finos, os teclados se tornam opcionais – assim como ocorreu com os celulares.

O Surface dá uma ideia do que esperar no futuro, e agora algumas das melhores fabricantes de PC do mundo estão finalmente se juntando à Microsoft nesta jornada.

Se o Dell XPS 12 manterá o pedigree potente dos laptops equivalentes ainda é uma incerteza — afinal, o Surface Pro 4 deve ser anunciado em outubro — mas você pelo menos poderá escolher qual máquina irá querer em vez de comprar apenas o que a Microsoft está oferecendo.

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De qualquer forma, o Surface Pro se tornou uma tecnologia profeta de certa forma, um dispositivo que de alguma forma navega com sucesso entre um tablet poderoso e um laptop capaz. Dado isso, foram necessários um ou dois anos para transformar a fórmula em algo atraente para consumidores – e forçar a Apple a criar o próprio clone do Surface.

E o iPad Pro ainda precisa lidar com uma limitação: o iOS. Enquanto o Surface Pro 3 – o melhor dos tablets da Microsoft – roda uma versão completa do Windows, o tablet da Apple conta com um sistema bem mais simplificado. (A Microsoft não teve sucesso com o Windows RT.)

A ausência do OS X – que não foi pensado para toque, ao contrário do Windows 8/10 – pode ser um empecilho: os criadores do Sketch, conhecida ferramenta para designers, já anunciaram que não levarão o app para o iPad Pro, porque ele teria que custar muito pouco no iOS para ser competitivo. (O Sketch para Mac custa US$ 100.)

De um jeito ou de outro, não há como negar que grandes empresas de tecnologia acreditam que estamos prontos para a Grande Revolução Híbrida da Microsoft de 2013 – e que o Surface Pro foi o original.