Quando foi lançado, o IGTV tinha uma proposta diferentona: nada de vídeos na horizontal, só vídeos na vertical. Agora, a plataforma de vídeos do Instagram vai abandonar essa ideia e permitir vídeos no formato mais comum. O comportamento vai ser o mesmo de outros players e apps do tipo: um vídeo na horizontal fica em tela cheia quando o aparelho está nessa posição, e se encaixa no espaço disponível quando o celular está na vertical.

No post que anuncia a mudança, o Instagram lembra alguns dos bons exemplos de vídeos na vertical feitos até agora, como entrevistas conduzidas pela atriz Jameela Jamil e uma série do ator Dwayne Johnson, o The Rock. A rede social, porém, diz que ouviu a audiência e criadores para fazer a mudança.

De fato, eu mesmo cheguei a ver alguns vídeos que começavam com um pedido: coloque seu celular na horizontal. O produtor de conteúdo simplesmente colocou seu vídeo na horizontal em um formato vertical para driblar o Instagram. Era uma subversão do que o IGTV tinha idealizado para o conteúdo em sua plataforma. Também tinha gente que colocava grandes faixas pretas em cima e embaixo de um vídeo na horizontal para fazer de conta que ele era vertical, e acabava deixando o conteúdo pequenininho. Para resumir: uma bagunça.

Como lembra o Verge, converter, editar, filmar com outro enquadramento era um trabalho a mais para quem produzia conteúdo para o YouTube. E, diferente do que acontece com a plataforma de vídeos do Google, ainda não é possível ganhar dinheiro com propagandas no IGTV. Ou seja, muito trabalho para pouco retorno.

Ao mesmo tempo, o IGTV também não conseguiu criar o mesmo buzz, para usar um termo da moda, que outras plataformas. O maior exemplo disso é o TikTok, que faz sucesso entre adolescentes, tem seus próprios memes e conteúdos virais e já foi palco do surgimento de um artista número 1 da Billboard.

Isso se soma a outros recursos lançados nos últimos meses — vídeos do IGTV começaram a aparecer como posts no feed dos usuários da rede, por exemplo, em uma tentativa de atrair mais público para esse formato. Portanto, a ideia parece ser bem lógica: abrir mão de uma característica única e diferencial em troca de mais facilidade para atrair criadores de conteúdo que já estão em outras plataformas.