Um estudo publicado neste mês na revista científica Cell aponta o magnésio como arma importante na luta contra o câncer.

O nível do mineral no sangue parece interferir na habilidade do sistema imunológico em combater organismos intrusos e células cancerosas.

A deficiência de magnésio já havia sido associada a várias doenças, desde a gripe até o câncer.

Em estudos anteriores, pesquisadores constataram que os tumores em camundongos cresciam mais rápido quando o roedor recebia dietas com baixo teor do mineral. 

A relação estava estabelecida, mas ainda faltava entender como o magnésio afetava o sistema imunológico. Foi isso o que fizeram pesquisadores da Universidade de Basileia, na Suíça. 

Vamos à explicação: as células T possuem uma proteína chamada LFA-1. Ela funciona como uma chave, que se encaixa nas células anormais ou infectadas para permitir o combate. Acontece que, quando a LFA-1 está em seu estado inativo, ela permanece dobrada, o que dificulta a ligação entre células. 

Os cientistas mostraram que, se o magnésio estiver presente em quantidades suficientes nas proximidades das células T, ele garante que a proteína LFA-1 se mantenha esticada. Em resumo, as células T podem eliminar células indesejadas de forma eficiente em ambientes ricos em magnésio.

Onde tem magnésio

O magnésio está presente em alimentos como sementes, oleaginosas, leite e abacate. Porém, ainda não dá para dizer se a ingestão regular do mineral pode de fato diminuir o risco de desenvolver câncer –muito menos que o tratamento seria feito apenas pelo consumo destas comidas. 

Na verdade, a pesquisa implica, principalmente, nos estudos referentes à imunoterapia. Este tratamento busca mobilizar o próprio sistema imunológico do paciente para combater células cancerosas.

Utilizando modelos experimentais, pesquisadores mostraram que a resposta imune das células T contra as células cancerosas realmente foi fortalecida quando houve um aumento na concentração de magnésio no local do tumor. 

Dados de estudos anteriores também indicam que a imunoterapia era menos eficaz em pacientes com níveis insuficientes de magnésio no sangue. Todos estes fatores devem ser aprofundados em pesquisas futuras.