Cientistas criaram talvez uma das substâncias naturais mais brancas já vistas, usando a mesma física por trás de um assustador besouro branco da Ásia. Parece doideira, mas este material pode ser usado no futuro para pintura (o que representaria menos retoques) ou mesmo em cosméticos ou alimentos.

Branco e preto parecem ser opostos por uma razão. Coisas de coloração preta absorvem quase toda a luz usando suas superfícies, enquanto coisas brancas refletem a luz, espalhando igualmente todos os comprimentos de onda. Uma equipe de cientistas europeu essencialmente criou o papel mais branco de que se tem notícia usando essa propriedade física. Mas o quão branco é esse material?

O material mais escuro do mundo absorve ainda mais luz que o recordista anterior
A guerra sobre o pigmento mais escuro do mundo ficou ainda mais ridícula

“Se você pinta uma parede de branco, precisa pintá-la algumas vezes”, disse Olimpia Onelli, uma das autoras do estudo da Universidade de Cambridge no Reino Unido, ao Gizmodo. “Com nosso material, podemos pintar com uma espessura de 10 micrômetros.” Isso é menor que a largura de nosso fio de cabelo mais fino.

Diferentes preparações do material e o besouro Cyphochilus que inspirou sua criação. Diferente do vantablack, que absorve toda a luz, este material super branco ainda consegue mostrar sombras ou manchas. Foto por Olivia Onelli/Universidade de Cambridge

A luz viaja como ondas, e sua cor é determinada pela distância entre os picos das ondas. O olho humano só consegue ver a luz com comprimentos de onda entre 380 e 750 nanômetros.

Superfícies que apenas dispersam luz de conjuntos individuais ou de pequenos conjuntos de comprimento de onda podem parecer vermelhas, azuis, verdes ou de outra cor, dependendo do comprimento de onda que elas enviam de volta para seus olhos. No entanto, materiais brancos deveriam dispersar a luz de todos os comprimentos de onda de forma igual — e a chave para criar este material branco foi criar uma superfície áspera e porosa na qual a luz pode ser rebatida.

O dióxido de titânio geralmente serve como um pigmento branco, mas existe uma preocupação pelos efeitos negativos causados à saúde pelo composto quando é preparado como nanopartículas. Os pesquisadores se inspiraram no besouro branco Cyphochilus, cujas escamas dispersam a luz através de uma complexa rede de estrutura biológica chamada quitina.

O novo material usa nanofibras de celulose — fibras de celulose em escala nano, um material à base de planta similar à quitina usada para fazer papel. Os pesquisadores giraram a celulose em uma centrífuga até que apenas as fibras de tamanho apropriado, que dispersassem os comprimentos de ondas visíveis de luz, ficassem em suspensão líquida. Com o líquido seco, uma coleção de fibra com a “branquitude apropriada” permanece.

E isso é muito branco, talvez 20 ou 30 vezes mais branco que papel de filtro branco, segundo o estudo publicado recentemente no periódico Advanced Materials. Não é o mais branco, pois há opções com dióxido de titânio que são mais brancas. No entanto, como o material é biocompatível, o seu uso tem diversas finalidades — pode ser usado em comida, cosméticos ou mesmo para a pintura. Ainda não está pronto para a produção, e agora os pesquisadores precisam pensar em como adaptar este processo para escala industrial.

Vantablack, conheça o seu mais novo inimigo: a celulose branca com membranas de nanofibras. Espero que eles consigam um nome mais legal para isso o mais rápido possível.

[Advanced Materials]