Há dois meses, o senador americano Mark Leno propôs uma lei para responder ao aumento de roubos de smartphone na Califórnia: todo aparelho desse tipo precisa ter um método para seu dono desativá-lo remotamente. Seria ótimo ver uma proposta semelhante no Brasil.

Afinal, em vez de esperar a aprovação da lei, fabricantes e operadoras se uniram no “Compromisso Voluntário Antirroubo de Smartphone“, prometendo que aparelhos terão uma ferramenta para bloquear o dispositivo, ou apagar seu conteúdo remotamente… a partir de julho de 2015. Ué, mas isso já não existe?

As empresas que aderiram ao compromisso são: Apple, Google, HTC, Huawei, Motorola, Microsoft, Nokia e Samsung, além da seguradora Asurion e cinco operadoras americanas. Mas todas elas trabalham com sistemas operacionais que oferecem proteção antirroubo embutida:

  • no iOS, temos o Buscar Meu iPhone, que permite ver a última localização do aparelho, além de bloqueá-lo e impedir que ele seja usado por outras pessoas se for perdido ou roubado;
  • no Android, temos o Gerenciador de Dispositivos, com os mesmos recursos do iOS mais um botão “Tocar”, que fará o aparelho soar um ringtone;
  • no Windows Phone 7 e 8, o recurso Localizar meu telefone reúne as funções do iOS e Android.

E ainda há soluções de terceiros, como explicamos no nosso guia para encontrar seu celular perdido. Então o que as fabricantes estão prometendo para 2015? Vale lembrar que o acordo é válido apenas para smartphones, não celulares simples.

Parece que Mark Leno se perguntou a mesma coisa. Em um comunicado enviado à imprensa, ele diz:

… a proposta opt-in de hoje não é o bastante, se o objetivo final é combater a criminalidade de rua e roubos violentos envolvendo smartphones e tablets. Para celulares roubados não terem nenhum valor de revenda no mercado negro, a grande maioria dos consumidores deve ter o recurso antirroubo pré-habilitado em seus celulares, usando uma solução de ‘opt-out’.

Ênfase nossa. Ou seja, as ferramentas do iOS e Android deveriam estar ativadas por padrão – assim como no Windows Phone – em vez de serem opcionais.

Por que as empresas resistem em fazer isso? Leno diz que, em 2012, empresas faturaram US$ 30 bilhões nos EUA substituindo celulares perdidos ou roubados; e em 2013, as operadoras venderam US$ 7,8 bilhões em seguros para celular. O projeto de lei poderia impactar essas fontes de receita.

O compromisso das fabricantes pode ser “encorajador”, como diz Leno, mas o projeto de lei continua. E é interessante notar: leis que começam valendo apenas na Califórnia, historicamente, são adotadas pelo restante dos EUA.

Leno diz que, dos assaltos em San Francisco, 50% envolvem smartphones; nos EUA, 113 celulares inteligentes são perdidos ou roubados a cada minuto. A proteção antirroubo não iria acabar com o problema – ao colocar o smartphone no modo avião, a ferramenta não funciona – mas é um passo importante.

É bom ver que as fabricantes estão sendo enfim pressionadas nesse sentido, abrindo um precedente importante para exigir o mesmo no Brasil. [CTIA via Ars Technica]

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