Dezenas de jornalistas terceirizados do MSN e Microsoft News estão sendo substituídos por uma inteligência artificial (IA), como apontam reportagens publicadas na semana passada.

Entre a última quarta e quinta-feira, cerca de 50 funcionários receberam a notícia de que seus contratos não seriam renovados após a data de vencimento de 30 de junho. Todos são empregados por meio de agências terceirizadas, incluindo 27 jornalistas do PA Media Group, do Reino Unido, como aponta uma reportagem do Guardian.



“Como todas as empresas, avaliamos nossos negócios regularmente”, disse um porta-voz da Microsoft em um comunicado ao Seattle Times. “Isso pode resultar em um aumento do investimento em alguns lugares e, de tempos em tempos, em uma redistribuição em outros. Essas decisões não são o resultado da atual pandemia.”

Ex-funcionários falando sob condição de anonimato disseram ao Seattle Times e ao Business Insider que, daqui pra frente, o MSN usará inteligência artificial para desempenhar suas funções. Os jornalistas empregados diretamente pela Microsoft e que desempenham funções similares permanecerão na equipe.

As organizações de notícias da Microsoft já contavam com algoritmos para encontrar as tendências mais populares entre os muitos parceiros de publicação da empresa (o MSN canalizou todo o conteúdo original anos atrás), mas ainda contavam com jornalistas de carne e osso para ajudar a empacotar esse conteúdo por meio de ajustes no texto, manchetes e fotos.

Funcionários terceirizados também eram responsáveis por algumas operações do dia-a-dia, como manter calendários editoriais para os sites de notícias parceiros do MSN ou fazer a curadoria do conteúdo programado.

“O trabalho tem sido semi-automatizado há alguns meses, mas agora está a toda velocidade”, disse ao Seattle Times um dos funcionários que teve seu contrato encerrado. “É desmoralizante pensar que as máquinas podem nos substituir, mas lá vamos nós.”

Outro funcionário expressou um sentimento semelhante para o Guardian. “Eu passo todo o meu tempo lendo sobre como a automação e a inteligência artificial vão tirar todos os nossos empregos, e cá estou eu – a inteligência artificial tirou meu emprego.”

Eles acrescentaram que a substituição de jornalistas terceirizados por um software pode ser um tiro no pé da Microsoft, dadas as “diretrizes editoriais muito rígidas” que a empresa instruía, como manter conteúdos violentos ou inapropriados fora da primeira página.

Mesmo a máquina mais sofisticada pode não ser capaz de compreender nuances importantes que poderiam ser interpretadas pelos leitores como conteúdo insensível ou ofensivo.

A Microsoft não respondeu imediatamente ao pedido do Gizmodo para detalhes adicionais sobre como a IA será incorporada ao processo de produção de conteúdo do MSN.

Muitos veículos vêm expandindo o papel da IA e do aprendizado de máquina em suas redações há anos. A Associated Press, Reuters e o Washington Post estão entre os vários que adotaram sistemas automatizados de gerenciamento de conteúdo, seja sugerindo manchetes, analisando o fluxo diário de comunicados de imprensa, publicações e comentários, ou ajudando a cobrir o que os repórteres nem sempre são capazes de fazer, como esportes locais e eleições locais.

O Google também começou a financiar projetos de notícias automatizados e a projetar recursos de treinamento para que os jornalistas incorporem a IA em suas redações.

No entanto, essa rodada de demissões da Microsoft veio em uma hora inapropriada, dado que o mercado de trabalho está estagnado e vivemos níveis recordes de desemprego em meio à crise do coronavírus, ao redor do todo o mundo. Não que exista um momento certo para ser dito que seu emprego está sendo substituído por um robô, mas há período piores.