Um ano e meio após o início da pandemia, o Ministério da Saúde admitiu a ineficácia da cloroquina e outros medicamentos do chamado “Kit Covid-19”, uma série de drogas que cientistas do mundo todo contraindicavam contra o coronavírus, inclusive a Organização Mundial da Saúde.

O relato veio por meio de um documento enviado à Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na última segunda-feira (12), que investiga possíveis crimes cometidos durante a pandemia. O relatório diz:

Alguns medicamentos foram testados e não mostraram benefícios clínicos na população de pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados, sendo eles: hidroxicloroquina e cloroquina, azitromicina, lopinavir/ritonavir, colchicina e plasma convalescente. A ivermectina e a associação de casirivimabe + imdevimabe não possuem evidência que justifiquem seu uso em pacientes hospitalizados, não devendo ser utilizados nessa população.”

Recentemente, um estudo científico mostrou a ineficácia de um desses medicamentos, a azitromicina. O antibiótico era usado nos casos leves e moderados da doença, mas a pesquisa aponta que não há efeito considerável e ainda pode aumentar o risco de morte. 

Já o trecho enviado à CPI, ele é parte das “Diretrizes Brasileiras para Tratamento Hospitalar do Paciente com Covid-19”, documento elaborado em maio de 2021 a pedido do Ministério da Saúde, que contou com a colaboração de diversas entidades de saúde e contraindica esses medicamentos.

O texto foi escrito depois de um questionamento feito pela médica Ludhmila Hajjar, que recusou o cargo de ministra da Saúde, e argumentava que não havia um protocolo nacional para o tratamento da Covid-19, além de defender que a função do Ministério da Saúde é orientar os médicos sobre a melhor forma de tratar pacientes com coronavírus. Antes disso, o chamado “tratamento precoce” com o Kit Covid foi amplamente defendido pelo presidente Jair Bolsonaro (sem partido) desde o início da pandemia.

Para se ter uma ideia, a União chegou a gastar mais de R$ 1,4 milhão somente com a compra de cloroquina durante esse período. O Governo Federal elaborou um documento sugerindo que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) mudasse a bula da cloroquina, o que foi negado

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A CPI tem buscado respostas de entidades de saúde, ligadas ao Estado ou não, para entender quais foram ações suspeitas ou omissões das autoridades no enfrentamento da pandemia. Já foram ouvidos o ex-ministro Pazuello, ex-chanceler Ernesto Araújo, o ex-chefe da comunicação do governo, Fábio Wajngarten, e as médicas Mayra Pinheiro e Nise Yamaguchi. Também participaram da sabatina o Ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, e outras autoridades em saúde.

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