O 5G tem dado os primeiros passos na direção dos consumidores e é a partir de 2019 que veremos as primeiras inovações na área. Há a expectativa de que a operadora Verizon libere a nova rede para os seus consumidores nos Estados Unidos ainda este ano e a Motorola entrou no barco para cravar o título de primeira fabricante de um “verdadeiro smartphone 5G”. As duas empresas firmaram uma parceria de exclusividade e o Moto Z3 terá um módulo 5G.

A novidade foi anunciada em agosto do ano passado e o acessório que permitirá a conexão acabou de passar pela FCC – análoga à Anatel. Uma documentação enviada para a agência americana detalha como esse acessório irá funcionar.

Entre as informações disponíveis consta que o módulo 5G terá sensores de proximidade para desligar qualquer uma das quatro de suas antenas milimétricas (ou millimeter wave, se você estiver num espírito mais gringo) caso o seu dedo chegue perto demais delas.

É assim que a Motorola descreve esse mecanismo:

Como mencionado na descrição do dispositivo, sensores capacitivos e de proximidade são usados para desabilitar a transmissão de um dado conjunto do módulo da antena de ondas milimétricas quando o usuário estiver localizado próximo do módulo e em uma direção em que o módulo possa transmitir. O mecanismo de controle é simples e, caso os sensores de proximidade indiquem uma potencial presença do usuário dentro de uma região aproximadamente cônica em frente ao módulo onde a densidade de energia possa se aproximar do limite MPE (Exposição Máxima Permitida, na sigla em inglês), o módulo é desabilitado para o uso do modem. Isso encerra e previne a transmissão do módulo em questão até que a questão seja resolvida.

O pessoal do Verge levantou uma série de pontos sobre esse trecho, que pode assustar alguns consumidores.

Primeiro, a radiação de ondas milimétricas é considerada não ionizante e, portanto, não tem energia o suficiente para destruir tecidos vivos. Segundo, essas ondas milimétricas são utilizadas em scanners corporais de aeroportos e a FDA (análoga à Anvisa) diz que não existem “efeitos adversos conhecidos para a saúde” nessa dose de exposição.

Além disso, a FCC impôs limites de exposição à ondas milimétricas e é por isso que a Motorola incluiu esse sistema. A Motorola diz ainda que o sensor de proximidade não é o único mecanismo para desligar essas antenas – o módulo sempre vai escolher a antena com o melhor sinal se o seus dedos estiverem bloqueando as outras. Ou seja, esse sistema funciona como uma proteção e também aumenta a eficiência energética do acessório.

A documentação também traz outros detalhes sobre o módulo. Já sabíamos que o acessório tem características de um smartphone completo: ele tem processador Snapdragon 855, modem X50 5G, 10 antenas e uma bateria de 2.000 mAh. E, de acordo com as informações na FCC, ele terá o tamanho de um smartphone: o ponto mais grosso terá 7mm de espessura – o que pode desanimar bastante gente. Para se ter uma ideia, o Moto Z3 tem 6,75mm de espessura.

Ilustração do módulo 5G da Motorola em documentação da FCCImagem: FCC

Por fim, os papéis revelam ainda que a Motorola pode estar trabalhando no Moto Z3 Pro. Há um trecho no documento que fiz que o acessório “só funciona quando está conectado em um dispositivo compatível com um módulo 5G, como o Moto Z3 Pro”. É possível que a companhia esteja preparando o lançamento de um novo topo de linha.

Ainda não há informações sobre o preço do módulo da Motorola.

[The Verge]