A NASA anunciou a descoberta de um exoplaneta de dimensões parecidas com às da Terra na zona habitável de uma estrela. A novidade foi comunicada na segunda-feira (6) durante reunião da Sociedade Astronômica Americana (AAS, na sigla em inglês) em Honolulu, Havaí (EUA).

TOI 700 d, como foi chamado o exoplaneta, está a 100 anos-luz de distância da Terra. Ele orbita a estrela-anã TOI 700. Junto com ele, foram descobertos outros dois planetas no mesmo sistema, TOI 700 b e TOI 700 c. Só o TOI 700 d, o mais distante dos três, está na chamada zona habitável, onde um planeta poderia manter oceanos líquidos, como acontece na Terra.

Esquema com os três planetas que orbitam a estrela-anã TOI 700. A zona habitável está em verde, e o TOI 700 d orbita no comecinho dela. Imagem: NASA

O planeta tem um tamanho 20% maior que o da Terra e circula sua estrela em um período de 37 dias. A energia que ele recebe da TOI 700 corresponde a 86% da energia que a Terra recebe do Sol.

Cientistas supõem, com base em modelos de dados, que os três planetas do sistema apresentam o fenômeno da rotação síncrona, em que uma face está sempre voltada para o mesmo ponto, assim como acontece com a Lua e a Terra.

Os dados coletados e modelados pelos pesquisadores também serviram de base para uma simulação em que TOI 700 d tem oceanos e uma atmosfera densa de dióxido de carbono, semelhante à de Marte quando jovem, com a face voltada para a estrela sempre coberta por nuvens. Outra simulação prevê um planeta sem oceanos, com ventos que sopram da face encoberta para a face exposta à estrela.

O TOI 700 d é o primeiro planeta encontrado pelo satélite TESS a ter tamanho próximo ao da Terra e estar na zona habitável de um sistema planetário. Outros exoplanetas com essas características já foram encontrados por outros satélites anteriormente.

Lançado em 2018, o Transiting Exoplanet Survey Satellite (ou “satélite de pesquisa de exoplanetas em trânsito”, em tradução livre) tem como objetivo buscar exoplanetas. Ele faz isso observando quedas na luminosidade das estrelas, que podem indicar que possíveis planetas passam em frente a elas. É importante observar pelo menos três trânsitos para confirmar um planeta. O satélite monitora cada pedaço do céu por um período de 27 dias.

TOI, aliás, significa “TESS Object of Interest”, ou “objeto de interesse do TESS”, em tradução livre.

[NASA, Agência Brasil, Folha]