Florestas de mangue são maravilhas ecológicas que abrigam milhares de espécies e protegem a comunidades costeiras de tempestades. Além disso, basta olhar para elas e concluir que são lindas.

Mas, de acordo com um novo estudo publicado nesta quinta-feira (4) na Science, se não reduzirmos nossas emissões de gases de efeito estufa, o aumento do nível do mar poderá afogá-las até 2050. Isso causaria um desastre ecológico e colocaria em risco as comunidades costeiras.

Os ecossistemas de mangue podem se adaptar a algum nível de elevação do nível do mar, acumulando sedimentos e migrando para o interior. Mas essas defesas só são eficazes se o nível do mar não for acelerado muito rapidamente. Passado um certo ponto, as florestas não conseguem acompanhar. Os autores queriam determinar qual é esse ponto, então procuraram registros históricos.

Devido às diferentes taxas de derretimento das geleiras nos últimos 10 mil anos, o ritmo de aumento do nível do mar variou bastante, passando de 10 milímetros por ano até atingir condições quase estáveis 4.000 anos depois.

Ao analisar os dados de sedimentos de 78 ecossistemas de mangue dos últimos dez milênios, a equipe determinou que os manguezais têm maior probabilidade de desaparecer quando as taxas de elevação do nível do mar excederem 6 mm.

O problema é que, se os líderes mundiais não fizeram nada para conte as emissões de gases de efeito estufa (um cenário conhecido como RCP8.5), os cientistas esperam que excederemos 0,7 milímetros por até 2050.

Se isso acontecer, as consequências serão enormes. Os ecossistemas de mangue – encontrados na costa atlântica da Flórida à Argentina, nas costas da África e em outros locais com climas quentes, como o brasileiro — armazenam ainda mais carbono que as florestas tropicais. Perdê-los causaria estragos no clima. Parcialmente submersas, parcialmente acima da água, as florestas de mangue também estão entre as fontes mais ricas de biodiversidade do planeta, fornecendo habitat para uma variedade de criaturas terrestres, aquáticas e aéreas.

“Se eles desaparecerem, haverá desequilíbrios no número de peixes e outras espécies dependem deles”, disse Erica Ashe, pesquisadora de pós-doutorado na Universidade Rutgers, ao Gizmodo. “E isso pode ter efeitos em outras espécies, mesmo aquelas que na verdade não são protegidas por essas manguezais, porque quando os níveis de espécies diferentes mudam, isso pode afetar todo o sistema”.

Este sistema inclui pessoas. Os pescadores, por exemplo, dependem de espécies que vivem nos ecossistemas para sua subsistência. E de acordo com um outro estudo publicado no PLOS One, na semana passada, os ecossistemas também estão atualmente fornecendo um amortecedor entre o aumento do mar e as tempestades que protegem pelo menos 5,3 milhões de pessoas.

“É fundamental que reduzamos o aumento do nível do mar para reduzir esses impactos às pessoas e garantir que os manguezais continuem a florescer, proteger as pessoas e absorver as grandes quantidades de carbono”, disse Will Turner, co-autor do estudo do PLOS One e vice-presidente sênior do Conservation International, ao Gizmodo.

O mundo ainda tem tempo para preservar as florestas. Se reduzir as emissões de carbono, ainda é esperado que a taxa anual de aumento do nível do mar permaneça abaixo de 5 mm ao longo do século 21. Ao mesmo tempo, os líderes podem tomar medidas para evitar outras ameaças às florestas de mangue, como projetos de desenvolvimento costeiro.

“Sabemos que a maior prioridade é parar o aumento do nível do mar e as mudanças climática em si”, disse Turner. “O que também entendemos é que proteger os manguezais agora e no futuro é um benefício sem arrependimentos para as pessoas”.