O Spotify adotou uma nova política de privacidade que deixou algumas pessoas um pouco temerosas. O serviço de streaming está pedindo por muito mais informações do que seria necessário para oferecer música: ele quer ver seus contatos e fotos, rastrear sua localização, entre outros. Por quê? A empresa se explicou.

Daniel Ek, CEO do Spotify, pediu desculpas pela confusão no blog oficial da empresa: “devíamos ter feito um trabalho melhor em comunicar o que essas políticas significam, e como qualquer informação que você decidir compartilhar será – ou não – usada”.



O executivo promete que o Spotify pedirá por sua permissão antes de acessar dados mais particulares: “se você não quiser compartilhar esse tipo de informação, você não é obrigado”.

Mesmo assim, a política de privacidade deveria ser mais clara. Não é um bom momento para o Spotify arranjar polêmicas do tipo, com o acirramento da concorrência com Apple Music, Google Play Música, entre outros.

Markus Persson, fundador da Mojang (criadora do Minecraft), e Henrik Pettersson, gerente de projetos na Mojang, fecharam a conta deles no Spotify por causa da nova política de privacidade:

A nova política de privacidade ainda não está disponível em português. Por isso, comparamos a versão nova e a antiga em inglês – você pode acessar o resultado aqui.

Vamos entender as principais mudanças abaixo:

Ver seus contatos, fotos e arquivos de mídia

Com a sua permissão, podemos coletar informações armazenadas no seu dispositivo móvel, como contatos, fotos ou arquivos de mídia… o Spotify pode utilizar essas informações para os fins previstos nesta Política de Privacidade.

O CEO do Spotify diz: “nunca iremos acessar suas fotos sem permissão explícita, e nós nunca vamos analisar ou importar a sua biblioteca de fotos”. O app só vai acessar fotos que você decidir compartilhar – para usar como a capa de uma playlist ou para alterar a sua imagem de perfil, por exemplo.

O iOS solicita que o usuário autorize o Spotify a acessar o rolo da câmera; no caso do Android, a permissão é dada durante a instalação (e poderá ser desativada manualmente no Android Marshmallow).

Spotify e permissoes

Quanto aos contatos, Daniel explica: “no futuro, a gente pode querer dar a opção de encontrar seus amigos no Spotify procurando por usuários em seus contatos”; seria algo opcional. Os apps para iOS e Android ainda não têm permissão para ver seus contatos.

Rastrear sua localização

Dependendo do tipo de dispositivo que você usa para interagir com o Serviço e as suas configurações, também poderemos coletar informações sobre sua localização com base, por exemplo, na localização GPS do seu celular ou outras formas de localização de dispositivos móveis (por exemplo, Bluetooth).

Daniel explica que “nós usaríamos isso para ajudar a personalizar recomendações, ou para manter você atualizado sobre tendências de música em sua área”. Será possível desativar isso nas configurações; os apps para iOS e Android ainda não têm permissão para acessar seu local.

Também podemos coletar dados de sensores (por exemplo, dados sobre a velocidade de seus movimentos, se você está correndo, andando ou em trânsito).

Isto provavelmente é necessário para o Spotify Running, com playlists que ajudam a praticar corrida: ele usa dados do acelerômetro para definiu uma taxa de passos por minuto.

Ouvir sua voz

Quando você usa ou interage com o Serviço, podemos usar uma variedade de tecnologias que coletam informações sobre como o serviço é acessado e usado. Esta informação pode incluir (…) comandos de voz (se você optou por compartilhar isso com a gente)

Daniel explica que isso serviria para um futuro recurso de controlar o Spotify com a voz. “Podemos criar controles de voz em futuras versões do produto que lhe permitirão pular faixas, ou pausá-las, ou navegar de outra forma pelo app”, diz o CEO.

Como deixa claro a política de privacidade, você decidirá se compartilha sua voz com o app. A versão para Android ainda não tem permissão para ouvir sua voz.

Obter suas informações do Facebook

Você pode integrar sua conta Spotify a aplicativos de terceiros. Se você fizer isso, podemos receber informações semelhantes relacionadas às suas interações com o Serviço, bem como informações sobre a sua atividade publicamente disponível. Isto inclui, por exemplo, suas curtidas e posts no Facebook.

O Spotify está apenas sendo bastante sincero aqui: quando você faz login através do Facebook, o serviço obtém informações suas vindas da rede social. Você deveria saber disso, já que o Facebook emite este aviso da primeira vez que você associa sua conta ao Spotify:

Spotify e Facebook

Armazenar suas informações de cartão de crédito

Esta é uma mudança pequena, mas que pode ser significativa. A política antiga dizia:

… suas informações de cartão de crédito e outros dados financeiros que precisamos para processar o seu pagamento são coletados e armazenados por processadores de pagamento de terceiros.

A nova política diz (ênfase nossa):

… as informações de cartão de crédito ou débito (como o tipo de cartão e data de validade) e outros dados financeiros de que precisamos para processar o seu pagamento podem ser coletadas e armazenadas por nós e/ou os processadores de pagamento com os quais trabalhamos.

A diferença é que seu número de cartão agora pode ser armazenado pelo próprio Spotify, em vez de passar diretamente por empresas de pagamento. Dadas as inúmeras invasões a empresas – Target, Ashley Madison, entre outras – que revelaram dados de cartão, isso não é algo que nos deixa confortáveis.

Felizmente, Daniel afirma que esta nova política de privacidade será atualizada nas próximas semanas, para refletir melhor o que ele explicou, e deixar as coisas mais claras.

Em comunicado, a empresa diz:

Os dados acessados ​​simplesmente nos ajudam a criar experiências melhores para nossos usuários, e criar produtos novos e personalizados para o futuro. Novos recursos recentes incluem o Spotify Running, que corresponde o BPM de sua música ao ritmo da sua corrida, e o novo recurso Descobertas da Semana, que cria uma playlist semanal com base em seus gostos.

[Spotify Blog via The Verge]

Foto por Björn Olsson/Flickr