Em fevereiro deste ano, a Anvisa aprovou os autotestes para Covid-19. O exame é o mesmo realizado nas farmácias, com a diferença de que agora os pacientes podem fazê-lo no conforto de suas casas, obtendo o resultado em cerca de 15 minutos. 

Só tem um problema: apesar de rápido e prático, o teste pode apresentar imprecisões. Pessoas assintomáticas ou no início da infecção, principalmente, estão sujeitas ao resultado falso negativo – quando o paciente está com o vírus, mas o exame mostra o contrário.

O RT-PCR, teste comumente feito em laboratório, não deixa de ser uma opção. Ele é considerado padrão ouro, o que significa que sua taxa de erro é mínima. Por outro lado, seu resultado leva de um a dois dias para sair. 

A pandemia já perdura dois anos e os cientistas creem que o Sars-CoV-2 veio para ficar. Por que não melhorar seu diagnóstico? Foi pensando nisso que pesquisadores da Universidade de Newcastle, no Reino Unido, desenvolveram um novo teste para Covid-19.

Para começo de conversa, é necessário entender uma coisa: nos testes convencionais, quando uma amostra é retirada do nariz do paciente com auxílio do swab nasal, ela logo é colocada em um pequeno recipiente contendo reagente à base de anticorpos. São eles que definem se a pessoa está infectada ou não.

Nesse novo teste, os cientistas utilizaram nanopartículas de polímeros molecularmente impressos (nanoMIPs) em vez de anticorpos. O nome é complicado, mas a premissa é simples. 

Basicamente, essas nanopartículas foram moldadas como massinhas a partir da proteína spike do Sars-CoV-2, considerada a chave de entrada do vírus. Ou seja, os cientistas criaram micro fechaduras que seriam abertas apenas em contato com o vírus. 

Se você já fez o teste rápido de Covid-19, deve estar ciente daquele pequeno dispositivo plástico em que sai o resultado. No caso do teste britânico, seria utilizado outro dispositivo cúbico impresso em 3D que detecta a ligação do vírus a partir de mudanças de temperatura.

O novo exame foi capaz de dar o resultado em cerca de 15 minutos. Além disso, ele mostrou mais precisão, podendo detectar uma quantidade 6.000 vezes menor de SARS-CoV-2 quando comparado ao teste rápido já disponível no mercado.

Os nanoMIPs também mostraram maior resistência a altas temperaturas, sugerindo uma vida útil mais longa do que dos reagentes com anticorpos. O estudo completo foi publicado na revista científica ACS Sensors.