A existência de vírus desconhecidos congelados ou em locais onde eles ainda não conseguiram alcançar os humanos não é coisa de filme de ficção científica. E uma descoberta recente só reforça essa afirmação, já que pesquisadores identificaram novos vírus e comunidades de bactérias em rachaduras cheias de água a 448 metros de profundidade da superfície.

As descobertas fazem parte de um relatório conduzido por cientistas da Universidade Linnaeus, do Instituto Real de Tecnologia de Estocolmo, Universidade Uppsala, Universidade de Ciências Agrárias da Suécia, da Alemanha e dos Estados Unidos. O local exato da detecção foi nos lençóis freáticos nos arredores de Oskarshamn, na Suécia.

De acordo com os pesquisadores, mesmo sob condições extremas, os vírus encontrados estão ativos nas águas subterrâneas e possuem ciclos de vida e taxas de crescimento mais rápidos do que se pensava.

“Por meio de um sequenciamento em larga escala, descobrimos tipos completamente novos de vírus que podem infectar muitos tipos de bactérias. Foi interessante descobrir alguns vírus capazes até mesmo de infectar o recém-descoberto grupo Patescibacteria. E esses vírus e bactérias estão ativos, pois quando os vírus matam suas hospedeiras, elas liberam carbono e nutrientes, o que significa que outras bactérias podem nascer e crescer”, disse Karin Holmfeldt, professora associada de ecologia da Universidade Linnaeus e líder do estudo.

As investigações aconteceram no laboratório subterrâneo de Äspö, ao norte de Oskarshamn, no sudeste da Suécia. Os pesquisadores estudaram a comunidade do vírus em três rachaduras cobertas de água no leito rochoso a 171, 415 e 448 metros abaixo do nível do mar. Foi constatado que as amostras coletadas a 415 metros compartilhavam toda a sua comunidade de vírus com as amostras a 448 metros, e não tantas semelhanças entre as comunidades encontradas nas profundidades de 171 e 415 metros, como pensavam os cientistas.

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A pesquisa também mostrou que os vírus, quando estão nesses ambientes, podem transmitir material genético entre bactérias, o que inclui propriedades que as tornam resistentes aos antibióticos. Isso significa que a resistência natural aos antibióticos pode se espalhar de maneira profunda, mesmo dentro da rocha. Na prática, a resistência a medicamentos pode surgir dentro da própria natureza, e não apenas por meio de mutações quando o vírus já estiver circulando entre seres humanos.

O estudo completo foi publicado na revista Communications Biology na última segunda-feira (8).

[Phys.org]