Na última sexta-feira (19), passou quase que despercebido um decreto presidencial envolvendo o Nubank. No caso, o presidente Michel Temer assinou uma autorização que permite que a Nu Holdings se torne uma sociedade de crédito ou, se você preferir, uma financeira.

Segundo o Banco Central, “as sociedades de crédito são instituições privadas que fornecem empréstimo e financiamento para aquisição de bens, serviços e capital de giro”.

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Na prática, a decisão deve ajudar o Nubank a melhorar suas operações. Atualmente, a companhia precisa do auxílio de instituições financeiras para realizar uma série de transações, como captação de recursos e oferta de crédito.

Esse novo status da empresa deve facilitar, por exemplo, o oferecimento de crédito rotativo ou mesmo serviços de empréstimo. A companhia não se pronunciou sobre planos concretos para o futuro envolvendo a recente decisão presidencial.

Além disso, o decreto pontua que é do “interesse do governo brasileiro a participação estrangeira de até 100% no capital” da Nu Holdings, sediada nas Ilhas Cayman. É importante ressaltar que a companhia já recebeu mais de meio bilhão de dólares de fundos estrangeiros, como Founders Fund, Sequoia Capital e Kaszek Ventures.

Em comunicado, a empresa comemorou a decisão, cujo processo, que costuma ser demorado, foi inicializado há dois anos:

“Estamos muito contentes por ter nosso pedido de constituir uma financeira aprovado pelas autoridades regulatórias. Sempre avaliamos oportunidades que podem deixar nosso negócio mais eficiente, e este é um passo importante para que possamos otimizar nossa operação e dar cada vez mais autonomia para as pessoas sobre suas finanças.”

Em outubro de 2017, o Nubank anunciou a NuConta, uma conta de pagamento em que os usuários podem fazer transferências para outros bancos ou realizar investimentos — por ora, não é possível ter uma NuConta e sacar dinheiro em um caixa eletrônico, por exemplo. Só transferindo a grana dessa conta para outro banco.

Já há algum tempo, o Nubank tem expandido seus produtos financeiros. O primeiro foi a adoção de um programa de recompensa, o NuRewards, que cobra uma mensalidade em troca da soma de benefícios.

Em entrevista à Reuters, Cristina Junqueira, cofundadora e vice-presidente de desenvolvimento de negócios da fintech, disse que o Nubank deve completar o processo para se tornar uma instituição financeira em seis meses e que a companhia já conta com algumas estruturas prontas.

Agora, só nos resta esperar para ver o que a empresa dos cartões de crédito roxos reserva para os consumidores brasileiros.

[Valor, Folha e Reuters]