Esta semana, a Microsoft reúne desenvolvedores em San Francisco para discutir (e mostrar) o futuro. No evento, ela falará de Windows 8.1, do novo Internet Explorer e de como pretende integrar seu ecossistema. O que esperar?

Windows 8.1

Havia um grande receio quanto ao Windows 8. Aquele papo de “sem concessões”, de um sistema único para tablets e computadores, e mudanças drásticas em elementos básicos de interface parece não ter agradado em cheio os usuários. A nova versão, conhecida pelo codinome Windows Blue, processa todo o feedback recebido dos usuários e promete ir além.

Antes de falar em novidades, a Microsoft parece disposta a amenizar os críticos mais ferrenhos do Windows 8, mas sem dar o braço a torcer por completo. O botão Iniciar volta, mas a Tela Inicial continua sendo o caminho para abrir aplicativos. Há novas opções de personalização no sistema, mas no geral o modo de uso não diverge muito do que vimos no Windows 8.

Uma das mudanças mais importantes deve ser o suporte a telas menores. A versão atual não se dá bem com telas de oito polegadas ou menos — como o Iconia W3, da Acer, comprovou. Tablets pequenos vendem bem, em menos de um ano ultrapassaram em marketshare os com telas grandes, em muito graças ao custo. É natural que a Microsoft invista nesse filão e a expectativa é de vejamos equipamentos a partir de US$ 299 no varejo, mais uma cópia do Office 2013 gratuita.

Na Build, teremos a primeira amostra do Windows 8.1: a Microsoft prometeu uma versão de testes pública para a conferência. Ainda acompanharemos apresentações específicas sobre a experiência do usuário no sistema e o papel (crescente) do SkyDrive nele.

Internet Explorer 11

O último navegador fiel ao modelo de grandes atualizações (bem) espaçadas, enquanto Chrome e Firefox já caminham para a versão 30 o IE chegará, no fim do ano, à décima primeira.

Não se sabe muito ainda sobre o IE11 e não será surpresa se as mudanças forem todas internas, ou seja, sem diferenças visuais e de interface dignas de notas. Na campanha de divulgação do navegador no Vine, uma provável novidade foi divulgada: suporte a WebGL, tecnologia que permite renderizar animações 3D direto do navegador. Todos os concorrentes possuem e já há serviços de peso, como a porção Earth do novo Google Maps, usando ela.

No primeiro dia de Build haverá uma apresentação sobre o novo Internet Explorer 11. A descrição não informa muito também, traz apenas um convidativo “Conheça o novo Internet Explorer”.

Tudo integrado — agora vai?

Remonta a 2009 a promessa de “um código, duas plataformas” da Microsoft. Na época, a empresa alardeava aos desenvolvedores que seria possível criar um jogo para Windows e, usando porções do mesmo código, portá-lo para o Xbox 360 e o Windows Phone 7.

Mesmo disponível e funcional, a tecnologia nunca foi explorada. Pior: essa não chegou a ser uma situação inédita: na época do Vista, a Microsoft prometia com todas as forças que jogos para o Windows poderiam entrar em sessões multiplayers cross-platform com o Xbox 360. Shadowrun era mostrado em todas as palestras e apresentações de produto e… bem, se nem a própria Microsoft faz muita questão de lançar seus próprios jogos para Windows, por que estúdios terceiros deveriam fazê-lo?

Hoje as circunstâncias são diferentes. Smartphones são mais poderosos, a nuvem é uma peça fundamental nesse quebra-cabeças de plataformas e o Windows enfraqueceu. O Xbox One precisa de diferenciais e, além dos jogos exclusivos, ter essa integração com o resto das coisas que o usuário tem pode ser algo bem legal. Nem Sony, nem Nintendo estão em posição mais confortável para fazer isso acontecer.

O Xbox One ainda é uma incógnita no que diz respeito aos desenvolvedores. A Microsoft já afirmou que o sistema roda apps, que o Azure, sua plataforma na nuvem, poderá ser usada inclusive em jogos, e que ele roda o kernel NT, o mesmo do Windows — ao lado de outros dois sistemas operacionais. Mas terá loja de apps? Desenvolvedores poderão explorar o X1 da mesma forma que fazem com o Windows e Windows Phone? Perguntas que, todos esperam, serão respondidas na Build.

Nos vemos em San Francisco

A Build é, antes de tudo, um evento focado em desenvolvedores — pense nela como o que o I/O é para o Google, ou a WWDC para a Apple. Isso significa que, fora a apresentação de abertura e uma ou outra espalhada na agenda dos três dias, de resto serão sessões bem técnicas permeadas por uma grande hackathon.

O Gizmodo Brasil parte para San Francisco neste fim de semana para conferir, de perto, o que a Microsoft está preparando para fazer frente a Apple e Google. A transição dos computadores para tablets e smartphones está sendo dolorosa, mas ainda é cedo para decretar o fim da Microsoft. Bem cedo. Não se deve duvidar de uma empresa grande como ela; de alguém que se reergueu de fracassos como Windows Me e Vista pode-se esperar qualquer coisa. Até as mais improváveis.