As vendas de smartphones estão em queda no Brasil, e os preços estão aumentando. Você já conhece a maioria dos culpados – crise econômica, alta do dólar, fim da Lei do Bem – mas existe um motivo adicional que você talvez não tenha imaginado.

Dados da consultoria GfK obtidos pela Folha mostram que só 17% dos smartphones vendidos no primeiro trimestre custavam até R$ 499. No mesmo período do ano anterior, eram 40%.

Enquanto isso, smartphones intermediários – de R$ 500 a R$ 1.499 – saltaram de 56% para 75%. O restante fica para o segmento premium, representado pelos iPhones e pela linha Galaxy S/Galaxy Note.

Motivos

Por que isso aconteceu? Sim, o dólar alto encareceu componentes dos smartphones que são montados no Brasil; e o fim da isenção fiscal na Lei do Bem retirou um incentivo que mantinha os preços em patamares menores.

Há também outro motivo: uma mudança no perfil de compra. Muitas pessoas já têm um smartphone – 65% dos donos de celular, segundo a IDC – e quando pensam em trocar, elas querem um modelo melhor e mais caro. Norberto Maraschin Filho, vice-presidente da Positivo, diz à Folha: “os usuários que querem apenas fazer o básico, ter o celular para serem localizados, vão desaparecendo ao longo do tempo”.

É uma tendência que já está acontecendo, por exemplo, na China: o preço médio dos smartphones aumentou de US$ 260 para US$ 319 em um ano, porque o país está saturado de aparelhos baratos e consumidores querem algo mais premium; isso vem prejudicando empresas como a Xiaomi.

Estratégia

No Brasil, as fabricantes já vinham mirando em patamares mais altos de preço há algum tempo. No ano passado, a Samsung lançou o Galaxy J1 – que deveria ser um modelo baratinhopor R$ 679. A LG, por sua vez, lançou modelos básicos a partir de R$ 529.

Também tivemos por aqui o sumiço da Microsoft, que apostava forte no low-end. Há um ano, a empresa lançava o Lumia 435 por R$ 329, e tinha modelos mais antigos e ainda mais baratos, como o Lumia 530. Todos foram gradualmente sumindo do mercado à medida que a Microsoft mudou de estratégia e parou de apostar em smartphones próprios.

Existem algumas empresas – como Alcatel e BLU – que ainda oferecem smartphones abaixo dos R$ 500. E há uma esperança de que esses aparelhos fiquem mais baratos, já que uma liminar obtida pela Abinee (Associação Brasileira da Indústria Elétrica e Eletrônica) trouxe de volta a Lei do Bem. A associação avisa, no entanto, que “as empresas ainda estão avaliando, com suas equipes, os efeitos da decisão e o melhor modo de aplicá-la”.

[Folha]