Faltavam poucos dias para a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarar o fim oficial do segundo surto de Ebola mais mortal do mundo, mas um novo caso na República Democrática do Congo (RDC) foi divulgado na sexta-feira (10). Agora, não se sabe quando esse surto realmente terminará.

Em agosto de 2018, o vírus Ebola começou a adoecer pessoas que vivem na RDC, particularmente na região de Kivu do Norte. Nos dois anos seguintes, o vírus infectou mais de 3.300 pessoas e matou mais de 2.200 em dois países — o segundo maior número de mortes por Ebola desde o surto de 2013-2014 que devastou a África Ocidental e matou mais de 11 mil pessoas.



A violência generalizada e a desordem civil na região dificultaram as tentativas de conter esse último surto, mas os profissionais de saúde pública também tinham uma ferramenta que não estava disponível antes: uma vacina altamente eficaz. Mais de 170 mil doses foram dadas a residentes e profissionais de saúde, na maioria das vezes em uma estratégia de “vacinação em anel”, destinada a interromper as cadeias de transmissão antes de começarem.

Depois de quase dois anos, o surto finalmente parecia estar diminuindo, sem novos casos relatados em mais de 50 dias. A OMS planejava declarar o fim do surto na segunda-feira, 13 de abril, desde que não houvesse mais casos nas áreas afetadas. Mas na sexta-feira (10), a organização anunciou que um novo caso foi encontrado em Beni, uma cidade no Kivu do Norte perto de um dos epicentros do surto.

“Infelizmente, isso significa que o governo da RDC não poderá declarar o fim do surto de ebola na segunda-feira, como esperado”, disse o diretor geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, em entrevista coletiva nesta sexta-feira (10).

Nesse momento, os detalhes sobre o novo paciente ainda não estão claros, como também não está claro se existe risco de mais casos. Independentemente disso, o momento não poderia ser pior, já que a pandemia de COVID-19 começa a fazer incursões na África.

Até o momento, foram registrados mais de 10 mil casos espalhados por 52 países do continente. Isso é muito menos do que as contagens oficiais de muitos outros países. Por outro lado. esses surtos parecem estar várias semanas atrás do resto do mundo em sua disseminação.

Os especialistas em saúde pública estão preocupados com a perspectiva de os sistemas de saúde de muitos desses países mais pobres serem especialmente afetados pelas ondas locais da COVID-19, dada a falta de unidades de terapia intensiva e ventiladores em muitos dos hospitais da região e níveis mais altos de desnutrição e outras condições de saúde entre os moradores pobres.