De acordo com uma nova estimativa divulgada pela Organização Mundial de Saúde, entre seis oito milhões de pessoas em todo o mundo — e não pouco mais de três milhões, segundo os dados oficiais — provavelmente perderam suas vidas para a pandemia de Covid-19 em 2020. Os números sugerem que as contagens oficiais de muitos países subestimaram a letalidade da pandemia, que ainda está descontrolada na maior parte do planeta.

Os dados foram revelados no relatório anual World Health Statistics da OMS, publicado na última sexta-feira (21). Os autores do relatório concluíram que, no final de 2020, havia mais de 3 milhões de mortes em todo o mundo que poderiam ser atribuídas à pandemia — 1,2 milhão de mortes a mais do que a contagem oficial de 1,8 milhões na época. Desde então, o ritmo de novos óbitos não diminuiu, com cerca de 3,2 milhões relatados oficialmente à OMS em 1º de maio.

Ao discutir as descobertas, Samira Asma, diretora-geral assistente da OMS e responsável pelos dados, afirmou que o total de mortes provocadas em decorrência da pandemia é provavelmente duas a três vezes maior do que o relatado oficialmente. E quando solicitado a estimar o número atualmente, Asma respondeu que, “com segurança, cerca de seis a oito milhões de mortes”.

As novas estimativas praticamente se alinham com outras tentativas recentes de calcular o provável número de mortos até agora.

Duas semanas atrás, por exemplo, pesquisadores do Institute for Health Metrics and Evaluation, em Washington (EUA), estimaram que 6,9 ​​milhões de pessoas morreram de Covid-19 até o início de maio. Isso incluiu mais de 900 mil pessoas nos Estados Unidos, o que é muito maior do que o número oficial de cerca de 590 mil mortes até agora. O Brasil, que no início deste mês registrou mais de 408 mil óbitos pelo novo coronavírus, na realidade pode ter alcançado quase 596 mortes. Os números que não entraram seriam causados pela subnotificação.

Na semana passada, a revista The Economist divulgou as próprias estimativas, argumentando que entre 7 a 13 milhões de pessoas no mundo podem ter falecido devido à pandemia.

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Levará anos para se ter uma noção completa da destruição causada pela pandemia. Por um lado, ainda não acabou — países como Brasil e Índia ainda estão com picos altíssimos de novos casos e óbitos. E enquanto o suprimento global de vacinas for insuficiente, é provável que a situação não se amenize e continue gerando novos surtos. As estimativas apontam que esse cenário deve se normalizar no mundo todo até 2024. Ou seja, mais dois anos e meio de enfrentamento rígido à pandemia, mesmo que alguns países, como Estados Unidos, Israel e Reino Unido, estejam acompanhando uma queda significativa de mortes e casos.