A empresa de telecomunicações OneWeb entrou com pedido de falência, deixando em dúvida o status de sua constelação orbital de Internet, que atualmente consiste em 74 satélites. A empresa, que está com dívidas, disse que não conseguiu garantir o financiamento necessário devido à pandemia de COVID-19.

A OneWeb anunciou na sexta-feira (27) que está entrando com pedido de proteção contra falência, no mesmo dia em que a empresa demitiu cerca de 85% de seus 531 funcionários, informou a SpaceNews.

A empresa está buscando a proteção do Capítulo 11 no Tribunal de Falências dos EUA para o Distrito Sul de Nova York, para facilitar a venda dos negócios. A OneWeb não conseguiu garantir novos recursos de um investidor-chave, a Softbank, de acordo com o Financial Times.

“Nossa esperança é que esse processo nos permita seguir um caminho que leva à conclusão de nossa missão, com base nos anos de esforço e nos bilhões de capital investido”, disse Adrian Steckel, CEO da OneWeb, em um comunicado à imprensa. “É com muito pesar que somos forçados a reduzir nossa força de trabalho e entrar no processo do Capítulo 11, enquanto os demais funcionários da empresa estão focados em gerenciar com responsabilidade nossa constelação nascente e em trabalhar com o Tribunal e os investidores”.

A OneWeb estava se esforçando para construir uma constelação de satélites para transmissão de internet, composta por 648 satélites, que coletivamente forneceriam banda larga para clientes pagantes em todo o mundo. A ideia é semelhante à Starlink da SpaceX, que está atualmente em desenvolvimento, mas a empresa liderada por Elon Musk pretende criar uma constelação composta por dezenas de milhares de satélites. A OneWeb tinha grandes objetivos para este ano, dizendo que lançaria 22 missões em 2020 e demonstraria o sistema até o final do ano. Agora isso parece excepcionalmente improvável.

A OneWeb responsabilizou a atual pandemia em curso pela sua incapacidade de levantar o financiamento necessário para completar sua constelação.

“Nossa situação atual é uma consequência do impacto econômico da crise do COVID-19” , disse Steckel no comunicado de imprensa.

A empresa sediada no Reino Unido já havia captado US$ 3,4 bilhões de investidores, “tornando-a uma das vítimas de maior destaque do colapso do mercado induzido por coronavírus entre empresas privadas de tecnologia”, segundo o Financial Times.

Os principais investidores incluem Airbus, Qualcomm, Virgin Group, Coca-Cola, Maxar Technologies, Hughes Communications e Intelsat, informou a CNBC, mas o principal investidor da empresa era a Softbank, uma holding japonesa. A OneWeb já havia conseguido mais de US$ 1,25 bilhão em financiamento da SoftBank, mas a empresa esperava arrecadar mais US$ 2 bilhões desse investidor-chave. A SoftBank ficou receosa devido às incertezas econômicas introduzidas pela pandemia, segundo o Financial Times.

A Softbank, além de recusar a OneWeb, também está abandonando uma oferta pública de aquisição de US$ 3 bilhões do WeWork, segundo a MSNBC.

Conforme a SpaceNews relata, a OneWeb havia acumulado mais de US$ 1,7 bilhão em dívidas antes de entrar com o pedido de falência, com um credor principal sendo a Arianespace (sua provedora de serviços de lançamento), à qual deve US$ 238 milhões.

Quanto ao destino da constelação de 74 satélites atualmente em baixa órbita terrestre, isso ainda é um pouco incerto.

Como Steckel indicou no comunicado de imprensa, a equipe reduzida restante da empresa continuará monitorando seus satélites. Como relata o Financial Times, “apenas algumas dezenas de pessoas ainda estarão trabalhando na OneWeb para gerenciar” os 74 satélites já em órbita, “permitindo assim que a empresa mantenha sua licença de espectro”, acrescentando que “atualmente a constelação é pequena demais para oferecer serviços de telecomunicações ou gerar receita, e o valor potencial de seu espectro de rádio para qualquer comprador não é claro”.

A OneWeb não respondeu imediatamente a uma solicitação do Gizmodo perguntando sobre a capacidade atual da empresa de gerenciar com segurança a constelação ou o destino da constelação, caso a OneWeb não atraia um comprador. Dito isto, os satélites da OneWeb são projetados para se desorbitar e queimar na atmosfera cinco anos após serem desativados. Os recursos necessários para facilitar esse processo, no entanto, não são totalmente claros.

Esperamos que a OneWeb possa gerenciar com segurança esse processo de desativação, assumindo que a empresa não atraia um comprador – uma aparente possibilidade, dada a direção em que a economia global está indo.