Os funcionários da Apple circularam uma petição nesta quarta-feira (12) para expressar preocupação com uma nova contratação e suas visões aparentemente problemáticas sobre as mulheres e pessoas não-brancas.

Na petição — que está disponível para leitura na íntegra no The Verge — os funcionários se opõem à contratação do ex-gerente de produto do Facebook e autor do livro Chaos Monkeys, Antonio García Martínez. Em seu livro, García Martínez detalha sua jornada de Wall Street ao Vale do Silício e, de acordo com os funcionários, sua caracterização dessa jornada e do papel que as mulheres, em particular, desempenharam está entre as principais causas de preocupação.

Na maioria dos trechos questionáveis, García Martínez repetidamente classifica as mulheres como objetos sexuais que estão mal vestidas ou como elas podem ser um peso morto nos ambientes corporativos do Vale do Silício.

“Havia poucas mulheres que alguém chamaria de convencionalmente atraentes no Facebook”, escreve García Martínez. “As poucas que raramente se vestiam para o trabalho tinham sua feminilidade exposta na forma de vestidos e saltos.”

Em outra passagem que circula atualmente no Twitter, García Martínez se refere especificamente às mulheres da Bay Area como “sensíveis e fracas, mimadas e ingênuas apesar de suas alegações de mundanismo, e geralmente cheias de merda… elas se tornam precisamente o tipo de bagagem inútil que você troca por uma caixa de cartuchos de espingarda ou um galão de diesel.”

“É tão cansativo ser uma mulher na área de tecnologia; sentada em frente a homens que pensam que por causa do meu gênero, eu sou fraca e geralmente cheia de merda”, escreveu uma funcionária da Apple no Twitter ao lado de uma captura de tela da passagem em questão. “Nem vale a pena dizer que trabalhei incansavelmente por todas as conquistas que tenho.”

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A contratação de García Martínez “põe em questão partes de nosso sistema de inclusão na Apple, incluindo painéis de contratação, verificação de antecedentes e nosso processo para garantir que nossa cultura existente de inclusão seja forte o suficiente para resistir a indivíduos que não compartilham de nossos valores inclusivos”, os funcionários escrevem.

As mulheres na área de tecnologia há muito tempo são perseguidas por inúmeras alegações ridículas e persistentes de homens, principalmente de que são inerentemente inferiores ou menos adequadas para realizar trabalhos em áreas de STEM (Ciências, Tecnologia, Engenharia e Matemática, em português). Então, você pode imaginar o sentimento de revolta quando sua empresa contrata um cara que escreveu um livro onde literalmente repete esses estereótipos.

Embora a Apple ainda não tenha feito comentários diretos sobre os questionamentos, a empresa tem sido frequentemente criticada por sua falta de diversidade no ambiente de trabalho nos últimos anos. No momento em que este texto foi publicado, a força de trabalho global da Apple é atualmente 66% masculina, e 47% de seus funcionários são brancos.