A Pfizer, uma das farmacêuticas responsáveis por uma das vacinas contra Covid-19, agora quer aprovação para uma terceira dose do imunizante e solicitará autorização de emergência da Food and Drug Administration (FDA), agência reguladora dos EUA. O pedido deve ser feito em agosto, disse o chefe de pesquisa da Pfizer, Mikael Dolsten, em entrevista à Bloomberg.

Segundo Dolsten, os dados iniciais de estudos em humanos têm sido promissores, mostrando que uma terceira dose não só é segura, mas pode aumentar muito a proteção imunológica contra o vírus. Os resultados indicam que o reforço pode aumentar os níveis de anticorpos neutralizantes de cinco a dez vezes em comparação com a vacina original.

Assim que a Pfizer tiver compilado mais dados, a empresa planeja pedir à FDA que autorize uma injeção de reforço que poderia ser administrada a pacientes, de seis a oito meses após terem recebido as duas doses originais. A empresa, que produz a vacina em parceria com a BioNTech, também está em negociações com órgãos reguladores da União Europeia e de outros países sobre os resultados até agora.

Os resultados da Pfizer são baseados em um estudo inicial de cerca de 10 a 20 pessoas que receberam a dose de reforço. Dolsten disse que o conjunto desses dados é seguro e mostra total confiança de que o estudo completo confirmará o que a farmacêutica tem defendido: que uma terceira dose poderá ser mais do que necessária. 

Com novas cepas do vírus se espalhando rapidamente — incluindo a Delta, muito mais transmissível que as outras variantes –, houve um aumento com a preocupação sobre a eficácia das vacinas contra o coronavírus existentes e como elas irão resistir a essas e futuras mutações. 

Autoridades de saúde de Israel divulgaram recentemente novos dados indicando que, entre os totalmente vacinados, a vacina da Pfizer é cerca de 64% eficaz na prevenção de qualquer infecção Delta e 94% eficaz na prevenção de doenças graves da variante, embora esses resultados ainda não tenham sido examinados por cientistas externos.

Na entrevista à Bloomberg, Dolsten disse que a Pfizer interpreta as descobertas de Israel como um sinal de que os níveis de anticorpos no sangue da população caíram desde que as autoridades começaram a distribuir vacinas no início do ano. Isso destaca a importância de administrar vacinas de reforço a pacientes que podem ser particularmente vulneráveis ​​ao vírus, incluindo idosos e aqueles com sistema imunológico comprometido.

“Quando você tem níveis baixos de um anticorpo no sangue, os vírus altamente contagiosos podem reinfectar e causar doenças leves”, disse. Ele acrescentou que a Pfizer planeja iniciar testes em humanos de uma nova vacina, projetada especificamente para combater a variante Delta, embora seja improvável que o imunizante customizado seja necessário, uma vez que a vacina atual já funciona contra a nova cepa.

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A Pfizer pretende produzir 3 bilhões de doses de sua vacina neste ano e 4 bilhões de doses no próximo ano. Anteriormente, o CEO da empresa, Albert Bourla, sugeriu que as pessoas provavelmente precisarão de uma dose de reforço da vacina da Pfizer todos os anos, semelhante a uma vacina anual contra a gripe. Contudo, especialistas ainda não decidiram se essas vacinas serão eventualmente necessárias.