Diversos veículos de imprensa têm discutido um estranho objeto no espaço, que pode ou não ser um planeta. Novas medições mostram que o que se pensava ser uma estrela anã marrom — basicamente, uma “estrela falhada” que é pequena demais para gerar fusão nuclear, mas grande demais para ser um planeta — pode ser um planeta, no fim das contas. Mas essa está longe de ser a parte mais estranha dessa história.

Cientistas recentemente deram uma outra olhada em quatro anãs marrons próximas, assim como nesse objeto estranho, que está localizado a apenas 20 anos-luz da Terra. A nova observação mostrou que o objeto na verdade atravessa a fronteira entre planeta e anã marrom. Isso é legal, mas surpreende ainda mais o fato que esses cinco objetos acabaram com seus campos magnéticos intensos.

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Anãs marrons são objetos redondos misteriosos flutuando no espaço que têm mais de 13 vezes a massa de Júpiter, o que significa que eles são grandes demais para serem considerados planetas. Cientistas recentemente usaram o observatório Karl G. Jansky Very Large Array, no Novo México, para observar quatro anãs marrons, além dessa possível “mistura” de planeta/anã marrom, por sete horas cada. As emissões de rádio desses objetos indicaram que eles poderiam ter forças de campo magnético talvez 200 vezes maiores do que as de Júpiter, que já são muito mais fortes do que as da Terra.

“Descobrimos que idade, massa e temperatura juntas não podem ser responsáveis pelos fortes campos magnéticos produzidos por nossos alvos”, escreveram os cientistas, liderados pela pesquisadora Melodie Kao, da Universidade Estadual do Arizona, em um artigo publicado no Astrophysical Journal Supplement Series.

Suas observações sugerem que esses objetos podem estar gerando os campos magnéticos ao girarem rapidamente.

As observações do campo magnético por si só foram interessantes, mas o artigo entra em detalhes sobre o estranho caso do quinto objeto, SIMP J01365663+0933473, ou SIMP0136, abreviado. As observações sugerem que o objeto pode ter apenas 12,7 vezes a massa de Júpiter, o que significa que pode ser um exoplaneta interestelar, em vez de uma anã marrom. Os astrônomos costumam usar aproximadamente 13 massas de Júpiter como o limite superior, após o qual um corpo no espaço não é mais considerado um planeta. Esse novo cálculo faria do objeto o primeiro exoplaneta detectado por emissões de rádio.

No entanto, esse limite superior do que constitui um “planeta” é controverso. Um objeto com massa 13 vezes maior que a de Júpiter é normalmente grande o bastante para que os isótopos mais pesados de hidrogênio passem por fusão nuclear. Mas, recentemente, um cientista afirmou que dez vezes a massa de Júpiter deveria ser o ponto de corte, e outros concordaram com ele. Sua ideia final é classificar os planetas e as estrelas com base em como eles se formaram: eles se formaram enquanto orbitavam outra coisa (um planeta) ou sozinhos, a partir de uma nuvem de poeira (uma estrela)?

Existem muitas coisas estranhas em nossa vizinhança interestelar, e anãs marrons continuam desafiando as definições dos cientistas para um “planeta”. Independentemente de nós, humanos, o universo segue, sem se importar com nossas definições.

[The Astrophysical Journal Supplement Series]

Imagem do topo: Caltech/Chuck Carter; NRAO/AUI/NSF