O processo na hora de comprar um novo gadget é cheio de armadilhas e imprevistos. Quanto eu deveria gastar? Qual modelo é melhor? Quanto armazenamento realmente preciso? E aí, depois que você responde tudo isso, chega o grande desafio: qual cor eu escolho?

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Parece uma pergunta simples – e algo que tem impacto zero na performance do aparelho – mas decidir a cor do seu dispositivo geralmente é bem mais difícil do que parece. Para ajudar desmistificar esse processo, cientistas da USC Marshall conduziram um estudo para ver que tipo de efeito a cor de um gadget tem na satisfação a longo prazo do consumidor. E os resultados? Resumindo, não fique com medo; deixe o preto e prata de lado e escolha tom que realmente tem a ver com você.

No experimento, as pesquisadoras Eva C. Buechel e Claudia Townsend separaram produtos em duas categorias: dispositivos de alto estímulo (que inclui aqueles que possuem cores intensas ou padrões complexos) e produtos de baixo estímulo, projetados com cores menos estimulantes como bege, preto ou prata.

A partir disso, elas realizaram uma série de testes que envolvia pedir para os participantes avaliar cada produto, respondendo questões sobre a satisfação ou irritação. Posteriormente, os participantes tiveram a chance de usar cada produto em períodos variados de tempo.

No final do estudo, a equipe fez uma dupla descoberta. Primeiro, as pessoas superestimaram a irritação que sentiriam com produtos de design de alto estímulo. Em segundo lugar, o estudo mostrou que as pessoas escolheram aparelhos com cores vivas e padrões intensos desde o começo subestimaram a satisfação que teriam durante o uso constante.

Bem, que fique claro que isso não significa que as empresas precisam abusar de designs malucos, cores neons e apetrechos espalhafatosos. Mas o estudo sugere que, no geral, aparelhos coloridos trazem mais de satisfação com o passar do tempo.

A conclusão pode soar óbvia para algumas pessoas. Alguém que curte a cor vermelha geralmente prefere um smartphone ou laptop vermelho em vez de um produto prata, por exemplo.

O problema que eu vejo nessa tendência conservadora com as cores é que ela tende a se autoperpetuar. Veja, podemos chegar a um ponto em que as fabricantes deixem de disponibilizar dispositivos coloridos porque as pessoas simplesmente não os compram e, quando decidem lançar algo diferente, o produto encalha porque os consumidores estão muito acostumados com as opções tradicionais.

Isso já acontece no mercado de laptops. Durante anos, muitas das principais fabricantes de computadores me disseram que, especialmente nos EUA, as cores preto e prata são as que vão bem no mercado. Alguns atribuem isso a profissionais que não querem distrair as pessoas com as cores de seus notebooks enquanto estão em uma reunião, por exemplo. Mas isso não explica totalmente a escassez na opção de cores de laptops.

Começamos a ver essa tendência de tradição sendo deixada de lado nos últimos anos com a chegada de produtos como o Surface Laptop (que é vendido nas cores bordô, cobalto, dourado e prata) e notebooks gamers, que mascaram o preto ao incluir luzes RGB em todo o canto possível.

Quando se trata de smartphones, o cenário é bem melhor para quem gosta de ter opções. Huawei, Samsung e mais recentemente a Apple adicionaram uma grande gama de cores.

De qualquer maneira, a conclusão é clara. Não tenha medo de escolher algo que seja além do prata e preto, especialmente se você ficou interessado por um tom único e interessante de algum gadget.

Imagem do topo: Alex Cranz (Gizmodo)