O Galaxy Note 8, do ano passado, era um smartphone bastante consistente, mas não era muito empolgante. Com uma tela do mesmo tamanho das de Galaxy S8+ ou S9+ e uma bateria ainda menor que a desses dois, parecia que a Samsung tinha tomado o caminho mais seguro.

Porém, no novo Galaxy Note 9, parece que a empresa está de volta aos seus velhos tempos de amontoar componentes. E, apesar de parecer quase a mesma coisa que o aparelho do ano passado, o Note 9 está muito mais forte internamente, e é exatamente isso que eu procuro em um telefone grande de alta tecnologia da Samsung.

Galaxy Note 9 já tem o sinal verde da Anatel

Começando por sua tela, o display QHD AMOLED, do Note 9, segue como o melhor do mercado e foi aumentado levemente, de 6,3 para 6,4 polegadas. Enquanto isso, internamente, a bateria do aparelho ganhou um aumento significativo, indo para 4.000 mAh, que é mais do 20% maior do que os 3.300 mAh do Note 8.

Mas o conjunto de especificações não para por aí, porque a Samsung também dobrou o armazenamento de base do Note 9 de 64 GB para 128 GB, ao mesmo tempo em que mantém os 6GB de RAM e o útil slot de microSD. Além disso, em uma mudança que normalmente é reservada exclusivamente para as variantes de Galaxy na Ásia, a empresa está criando uma versão super premium do Note 9 para os Estados Unidos, com 8 GB da RAM e um armazenamento enorme de 512 GB. E você ainda pode acrescentar um microSD de 512 GB, tendo uma telefone de 1 TB.

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E para manter todo o desempenho do processador Snapdragon 845 do Note 9 rodando nas velocidades máximas mesmo durante um uso prolongado, a companhia alega ter reforçado o resfriamento do Note 9 com uma nova interface de fibra de carbono para ajudar a melhorar a condutividade térmica e com um espalhador de calor de 335 milímetros quadrados, que é três vezes maior do que os presentes no Galaxy S9+ e no Galaxy Note 8.

Mesmo a S-Pen do Note 9 foi melhorada, com um supercapacitor embutido que permite à caneta uma autonomia de 30 minutos em standby com apenas 30 segundos de carga. Mas isso não é tudo: a S-Pen agora tem também Bluetooth LE (Low Energy) embutido, para que você possa usar a caneta como um pequeno controle remoto.

A Samsung realmente prestou atenção aos detalhes. Por padrão, cada S-Pen escreve com a mesma cor da caneta. Foto: Sam Rutherford/Gizmodo

Inicialmente, o recurso de controle remoto da S-Pen será limitado a apps da Samsung, como o player de música ou o aplicativo de câmera, permitindo que você abra a câmera só de apertar por um tempo o botão da S-Pen; alterne entre as câmeras fronteira e traseira pressionando duas vezes; e tire uma foto com um toque leve no botão. Ainda assim, a Samsung pretende ampliar a compatibilidade da S-Pen, além de fornecer um SDK para as funções remotas da caneta de forma que, no futuro, desenvolvedores possam acrescentar funcionalidades parecidas a apps de terceiros.

Infelizmente, a câmera do Note 9 é fisicamente a mesma do Galaxy S9+, com um sensor de 8 megapixels na frente e dois sensores de 12 megapixels na traseira com abertura variável — você pode alterar entre f/1.5 e f/2.4 e usar uma câmera de zoom 2x como uma câmera secundária.

No entanto, a Samsung adicionou inteligência artificial no app da câmera do Note 9, então ela pode detectar 20 objetos diferentes e usar isso para personalizar as configurações das câmera para melhores resultados. Como nós já vimos isso com a Huawei e a LG, essa funcionalidade não parece não inovadora assim.

O que é inovador no Note 9 é o recurso que detecta se uma foto está borrada, se está com a luz de fundo estourada ou ruim (caso de alguém ter piscado ou a lente estiver suja). Isso faz a câmera exibir um aviso dizendo para você captar a imagem novamente.

Entrada de fone ouvido continua firme e forte no Note 9. Crédito: Sam Rutherford/Gizmodo

E para quem quiser usar essa especificações para outros fins, o Note 9 agora inclui um modo melhorado no modo Dex que permite você conectar o smartphone a uma tela e utilizá-lo como um mini desktop. O problema é que você precisa de um adaptador da Samsung que nos EUA custa US$ 50, pois dongles USB-C para HDMI convencionais não vão ativar o modo Dex do smartphone.

Gostaria ainda que a Samsung tivesse feito algo a mais no design do Note 9. Ainda que eu tenha gostado da nova cor deep blue e o esquema de cores em amarelo (da S-Pen), essas cores chamativas não são tão bacanas assim.

Ah, lembra daqueles rumores sobre o Fortnite para Android? Bem, parece que a Samsung colocará uma versão beta do jogo pré-instalada no Note 9. No entanto, o Note 9 não será o único smartphone capaz de rodar o game: ele estará disponível em todos os Galaxy a partir do S7, o que inclui o Note 8 e o recém-lançado Galaxy Tab S4. O download poderá ser feito por meio do app Samsung Game Launcher. A Epic Games, desenvolvedora do jogo, decidiu não colocar o jogo no Google Play, então a disponibilidade no Game Launcher da Samsung tornará o método um dos mais fáceis de baixar Fortnite num telefone Android.

No fim das contas, ainda tenho uma grande pergunta: todas essas melhorias são o suficiente? Não me entenda mal, pois curti os grandes números das especificações, mas muitas delas eu já meio que esperava ver no Note 8 e parece que estão chegando um pouco atrasadas. Dito isso, não saberei se o Note 9 corresponde às expetativas até eu passar um tempo com o dispositivo.

O Note 9 estará disponível em pré-venda dos EUA a partir desta sexta-feira (10), com disponibilidade nas lojas em 24 de agosto. A versão de 128 GB/ 6 GB de RAM vai custar US$ 999, enquanto a versão de 512 GB/ 8 GB de RAM tem preço sugerido de US$ 1.250.