Estágios costumam ser complicados — você trabalha que nem um camelo e ganha pouco (às vezes nada), tudo em nome da experiência. Na Foxconn, a coisa é parecida — mas você ganha uma casa para morar e mais dinheiro.

O Motherboard conta os relatos de Ross Perlin, autor do livro “Intern Nation”, que narra a vida dos estagiários da Foxconn. E, céus, são muitos estagiários:

A Foxconn diz ter cerca de 180 mil estagiários durante os meses de verão para conseguir saciar a demanda voraz de gadgets do ocidente — e os pedidos de empresas como Apple, Amazon, HP e basicamente qualquer empresa grande de eletrônicos. A SACOM (Students and Scholars Against Corporate Misbehavior), crítica antiga da Foxconn, estima que o número seja bem maior, e que em certos momentos os estagiários correspondam a um terço da força de trabalho de 1,3 milhões de funcionários da empresa — cerca de 430 mil estagiários.

430 mil estagiários! O Gizmodo americano, por exemplo e para efeito de comparação, tem dois no momento. Um deles nem está na redação hoje.

Nos EUA, se você quer arranjar um baita emprego em que você use camisa social e tudo, ter um bom estágio virou requisito mínimo. Digamos que você quer trabalhar em uma revista. Isso significa que você terá que mudar para Nova York, arranjar um lugar para morar, pagar por sua existência em Nova York, e depois fazer um trabalho de cão por meses bem quentes — a única coisa interessante que eu fiz durante meu último estágio envolveu levar uma guitarra gigante até os correios.

Mas voltando para a China, fábricas com condições inumanas de trabalho são imperdoáveis. Mas… os estagiários da Foxconn em tese ganham metade do salário que um funcionário normal (isso não é nada comum!), recebem uma casa para viver e “prostitutas de baixo custo ficam a postos logo na saída das fábricas”. Ah vá. [Motherboard]