Desde que os adoçantes artificiais surgiram, as pessoas alertam sobre seus supostos riscos à saúde como um potencial causador de câncer e esclerose múltipla. Muitas dessas afirmações são desmistificadas pela ciência, mas algumas pesquisas — incluindo este novo estudo apresentado na conferência anual de Biologia Experimental — estão começando a indicar que os adoçantes podem contribuir para algumas condições como o diabetes tipo 2.

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Pesquisadores da Faculdade Médica de Wisconsin e da Universidade Marquette, também de Wisconsin, utilizaram ratos vulneráveis ao desenvolvimento de diabetes em seus experimentos. Durante três semanas, diferentes grupos foram alimentados com altas doses de dois açúcares, a glicose e frutose, e com dois adoçantes artificiais comuns, o aspartame e acessulfame de potássio. Então, eles estudaram o sangue dos ratos utilizando uma técnica de larga escala que rastreia mudanças metabólicas por minuto, conhecida como metabolômica.

“Apenas três semanas depois de dar esses adoçantes e açúcares para os nossos ratos suscetíveis ao diabetes, vimos mudanças biológicas no sangue que poderiam levar a alterações no metabolismo de gordura e energia”, disse ao Gizmodo Brian Hoffman, líder do estudo e engenheiro biomédico nas duas instituições.

O diabetes é uma condição que acontece quando nossos corpos não são capazes de manter os níveis adequados de glicose no sangue — um processo que é principalmente regulado pelo hormônio insulina. Esse colapso faz com que as pessoas parem de responder à insulina como antes ou parem de produzir insulina completamente. O açúcar excessivo em nossas dietas pode ajudar o desenvolvimento do diabetes ao sobrecarregar a produção de insulina do corpo, uma vez que o hormônio é usado para trazer os níveis elevados de glicose no sangue de volta ao normal.

Por causa disso, adoçantes artificiais são divulgados há muito tempo como uma forma segura de as pessoas consumirem doces e bebidas — sem aumentar o risco de diabetes. Mas os níveis de diabetes e obesidade continuaram a crescer, mesmo quando alimentos e bebidas ricas em adoçantes tornaram-se amplamente disponíveis a partir dos anos 1950 nos Estados Unidos.

Hoffman e sua equipe não só tentaram entender como o açúcar inicia a cadeia de eventos que causa o diabetes, mas também tentaram descobrir se os adoçantes poderiam fazer o mesmo.

Se adoçantes podem aumentar o risco de diabetes, provavelmente fazem isso de forma diferente do açúcar, como aponta Hoffman. Em vez de sobrecarregar a produção do hormônio da insulina no corpo, o falso açúcar o desgasta. “Adoçantes meio que enganam o corpo. Quando o seu corpo não está obtendo a energia de que precisa — porque realmente é necessário algum nível de açúcar para tudo funcionar corretamente — ele aparentemente encontra essa fonte em outro lugar”, disse Hoffman.

No sangue dos ratos, sua equipe de pesquisadores encontrou evidências de quebra de proteínas, o que provavelmente significa que os corpos queimaram músculos para obter energia. Eles também encontraram níveis mais elevados de lipídios e outras gorduras, que, ao longo do tempo, poderiam contribuir para a obesidade e o diabetes.

Outra pesquisa já sugeriu que os adoçantes alteram a comunidade de bactérias em nosso corpo — o microbioma humano — de uma maneira que poderia levar a mudanças metabólicas prejudiciais. E ainda mais pesquisas mostraram que dietas ricas em adoçantes artificiais estão associadas a um risco maior de diabetes e obesidade.

Hoffman afirma que está ciente dos esforços do passado que queriam relacionar adoçantes a terríveis riscos à saúde, mas ele diz que as coisas são diferentes neste caso.

“A maioria desses adoçantes foi aprovada bem antes de termos a tecnologia para realizar estudos como esse que o laboratório está fazendo. Então, eles não puderam olhar com profundidade alguns dos possíveis efeitos”, disse ele. “Ao saber que alterações bioquímicas são causadas pelos adoçantes por meio desses estudos de grande escala, podemos adotar uma abordagem imparcial e ver o que muda e para qual direção pode caminhar.”

A equipe de Hoffman planeja submeter suas descobertas à revisão em periódicos conhecidos. No entanto, eles já estão estudando os ratos alimentados com adoçantes por um longo período de tempo.

Estudos futuros provavelmente irão analisar os microbiomas dos ratos também. Em última análise, ele acredita que seu método de estudo poderia ser relativamente fácil de ser reproduzido em pessoas, uma vez que tudo o que seria necessário é uma amostra de sangue para estudar pequenas alterações metabólicas.

Enquanto isso, ele não quer fazer com que as pessoas se assustem e parem de tomar bebidas diet.

“O que eu gosto de dizer às pessoas é que, quando as coisas são consumidas com moderação, tudo fica bem. Portanto, se você gosta de tomar um refrigerante diet aqui e ali, então tome de vez em quando. Se você curte tomar refrigerante normal aqui e ali, tome de vez em quando”, disse ele. “Quando as pessoas começam a consumir essas bebidas cronicamente — como, por exemplo, uma pessoa que bebe duas, três, quatro dessas [bebidas] todos os dias, aí devemos começar a nos preocupar. Porque você está começando a realizar mudanças bioquímicas, e o corpo não tem tempo para se recuperar.”

Imagem do topo: CorrieMiracle (Pixabay)