A LG parece ter atuação tímida no mercado brasileiro de smartphones, mas alguns podem se surpreender com o fato de a marca ser a terceira colocada em participação de mercado por aqui, de acordo com os dados da consultoria Counterpoint. Talvez essa sensação seja porque a empresa não emplaque grandes lançamentos, mas faz algum sucesso com aparelhos da faixa de entrada e intermediária – que são as mais populares. Segundo a própria companhia, a linha “K” é uma de suas principais na gama de produtos.

O LG K12+ não foi lançado exatamente como um “intermediário” – aqui, levando em consideração a faixa de preço apontada por consultorias, e não especificações. Em abril, o modelo tinha preço sugerido de R$ 1.199. Como de costume, ele desvalorizou e, quase três meses depois, é fácil encontrá-lo por cerca de R$ 800 ou R$ 900 – agora, sim, nos valores de aparelhos considerados de gama média.


O Gizmodo Brasil pode ganhar comissão sobre a venda.

Porém, é difícil de engolir esse preço sugerido original. E talvez nem com a desvalorização dê para dizer que trata-se de um preço justo para um smartphone como ele. Essa introdução pode parecer pesada, mas a real é que foi penoso usar esse celular como o meu aparelho principal por duas semanas. Vem comigo que eu explico:

Começando pelo desempenho

Costumo colocar no primeiro tópico das análises alguns detalhes sobre o design e construção do celular. Como trata-se de um modelo que pode ser considerado mais barato, vamos logo ao desempenho – a razão das minhas frustrações.

Eu já não esperava performance impecável. Inclusive, é natural que modelos nesta faixa de preço não sejam super velozes – mas costumam funcionar bem para tarefas cotidianas. No dia a dia, uso um iPhone XR, mas ajustei minhas expectativas conhecendo as especificações do celular. O LG K12+ tem processador MediaTek MT6762, um octa-core de até 2 GHz, 3 GB de RAM e GPU PowerVR GE8320.

Com esse conjunto, prepare-se para alguns engasgos eventuais ao navegar na internet ou pelos seus apps de redes sociais. De modo geral, é um aparelho que cumpre o papel que todos esperamos: é tranquilo usá-lo para ver coisas.

O meu problema com ele foi especificamente na hora de digitar – aparentemente o meu processador é mais rápido do que o dele. Sabe quando você aperta várias teclas e precisa esperar cerca de um segundo para ver as coisas na tela? Era isso.

Quando eu desisti de usar o meu teclado favorito no Android, o SwiftKey, e passei para o GBoard, as coisas melhoraram um pouco. Por melhoraram, quero dizer que o delay de digitação de tornou menos frequente, mas não ausente. E não dá para ser mais frustrante do que isso, né? Não pude nem escolher meu teclado.

Essa performance baixa significa que não dá para rodar uns games da moda sem sofrer muitos engasgos. Não sou de jogar pelo celular – e definitivamente esse não é o propósito desse aparelho – mas um Fortnite não roda tão bem assim.

O celular tem um leitor de impressões digitais, posicionado na traseira. O reconhecimento em si funciona bem e a taxa de falha é baixa, mas a animação para desbloquear o celular é lenta – às vezes eu colocava o dedo duas vezes pensando não ter funcionado, mas o que tinha rolado é que a tela ainda estava ligando.

Design

Já que toquei nesse ponto, eis as impressões sobre a construção e design do K12+. A LG ostenta uma certificação militar MIL-STD-810G – isso, em tese, dá ao celular mais resistência à quedas, temperaturas extremas e umidade. Eu não cheguei a testar especificamente essas situações, mas vale citar.

Mas esse realmente não parece ser um celular tão suscetível a estilhaços. A traseira é de plástico, assim como o acabamento lateral (que possui apenas uma tinta metalizada). É uma construção mais barata, mas que está de acordo com a expectativa para celulares nessa faixa de preço.

Há um botão dedicado ao Google Assistente que não pode ser remapeado e, pelo menos no meu estilo de uso, se torna inútil. Fiquei decepcionado que a LG não padronizou ainda os seus celulares e há uma entrada microUSB, em vez do USB-C que já tem sido adotado por quase todo mundo.

Ele é leve (150 gramas) e tem uma pegada boa. A tela de 5,7 polegadas tem proporção 18:9, mas não ocupa toda a parte frontal – há bastante borda em cima e em baixo do display. A resolução é HD+ (720p) e a qualidade geral ficou naquelas: nem bom, nem ruim. O nível de brilho é bom o suficiente para você enxergar sob o sol, mas fica a sensação que a resolução poderia chegar no FullHD.

Câmera maluca

O K12+ não vem com especificações modernas como câmera dupla ou tripla. O modelo tem um sensor único na traseira, com 16 megapixels, abertura f/2.0 e flash LED. Para selfies, são 8 megapixels, abertura f/2.0 e também um flash LED.

A experiência com a câmera é doida. As cenas parecem bem feias durante a prévia, conforme você aponta a câmera. Depois do clique, tudo fica mais bonito – já dá uma melhorada na galeria do celular, mas os detalhes da imagem ficam bem evidentes quando você visualiza no computador.

Na prática, a câmera traseira faz fotos relativamente boas quando se tem boa iluminação ou iluminação natural. O nível de detalhes me surpreendeu ao analisar as fotos no computador e as cores não são lavadas nem saturadas demais. Apesar de ter HDR no software, é possível que suas imagens fiquem com regiões estouradas.

A LG incluiu uma inteligência artificial que lê as cenas e aplica um pós-processamento específico para cada imagem. Quando ela lê o assunto, as fotos ficam mais bonitas – mas essa leitura pode demorar.

Se você estiver em um ambiente ligeiramente mais escuro, como em um restaurante para o jantar ou em uma festa, será difícil conseguir um clique bom – ou suas fotos sairão tremidas ou verá bastante granulação.

A câmera tem potencial de dia. À noite, não conte muito com ela. O mesmo vale para as selfies. Agora, eu queria mesmo era saber porque a prévia é tão ruim – fui enganado! Como diria Kevinho: cê acredita?

O ponto positivo: bateria

A bateria não me deixou na mão e é um dos poucos pontos positivos do K12+. O aparelho tem 3.000 mAh, mas não consome tanta energia – afinal, seu processador não é muito poderoso. Após um dia inteiro de uso, ainda restavam entre 25% e 35% de carga – tirando o celular da tomada perto das 8h, usando-o esporadicamente até o meio dia e fazendo uso mais intenso durante a tarde.

O aparelho não tem carregamento rápido – para chegar aos 100% leva mais ou menos duas horas na tomada.

Conclusão

O LG K12+ definitivamente não valia a pena durante o seu lançamento – os R$ 1.200 cobrados não são justificáveis dado o desempenho e a qualidade geral do aparelho. Mesmo agora, custando uns R$ 350 menos, é difícil recomendá-lo.

Poderia ser um celular para um público que não está disposto a gastar muito num smartphone e precisa apenas do básico para o dia a dia – como checar as redes sociais, e-mail e navegar um pouco na internet. Mas ele não cumpre essas tarefas com brilho e eu diria que é um celular bem burocrático quando trata-se de desempenho.

Gastando um pouquinho mais dá pra levar um aparelho com muito mais bateria, como o Moto G7 Power – que, inclusive, tem um desempenho geral mais satisfatório. Alternativas da Samsung como o M20 também podem ser consideradas.

O K12+ é uma bola fora da LG, mas quem sabe eles não reparam os erros nas versões do aparelho que foram recentemente anunciadas.