Em agosto, a LG anunciou uma linha de smartphones intermediários com quatro aparelhos. Um deles era o LG X Cam, que pegou emprestado uma característica do G5, topo de linha da marca: as duas câmeras traseiras, uma com ângulo de 80 graus e outra com ângulo de 120 graus.

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A proposta da fabricante pode atrair os consumidores que estão procurando por um celular com boa câmera, mas que não pretendem gastar muito. Passamos um tempo com o aparelho da LG; confira a seguir nossas impressões sobre ele.

O que é?

O LG X Cam tem um conjunto de especificações dentro do esperado para smartphones intermediários. Ele foi anunciado por R$ 1.699, mas hoje os preços estão mais convidativos e é possível encontrá-lo por R$ 1.199 na maior parte das lojas do varejo.

Tela: IPS LCD Full HD (1920×1080) de 5,2 polegadas
Processador: octa-core Mediatek MT6753 de 1,14 GHz
GPU: Mali-T720MP3
RAM: 2 GB
Armazenamento: 16 GB (expansível com cartão microSD de até 256 GB)
Câmeras traseiras: principal de 13MP com ângulo de 80° + 5MP com 120°
Câmera frontal: 8MP
Bateria: 2.520 mAh (não removível)
Sistema operacional: Android 6.0 Marshmallow
Dimensões: 147,5 x 73,6 x 6,9 mm (altura x largura x profundidade)
Peso: 118 g

Design

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O LG X Cam é bonito à primeira vista. A parte frontal é elegante, com acabamento de vidro, detalhes que parecem ser feitos de aço escovado e desenho ligeiramente curvado nas extremidades, que lembra o LG G5. Eu me impressionei com a espessura (6,9 mm) e com a leveza (118 g), quando o peguei pela primeira vez, e por outro lado senti que o espaço poderia ser melhor aproveitado pela tela – sobra muita borda.

Ao olhar com mais cuidado, algumas características decepcionaram: a tampa traseira de plástico arranha com muita facilidade e deixa a sensação de elegância de lado. Além disso, as laterais têm acabamento cromado mas também são feitas de plástico, e podem descascar com o tempo.

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Os botões de controle de volume estão na direita e logo acima da bandeja para colocar os chips SIM e o cartão microSD – é preciso escolher entre colocar dois SIM, ou um chip e um cartão de memória. Na direita fica o botão liga/desliga e, embaixo, a entrada para fones de ouvido e o conector microUSB.

Usando

A tela inicial padrão da LG não traz mais a tradicional gaveta de apps do Android. Em vez disso, a fabricante optou por deixar essa parte da interface mais parecida com a do iOS e exibir todos os aplicativos nas páginas da homescreen.

Para quem está acostumado com a organização do sistema do Google, não é uma alteração muito interessante e o resultado é uma enorme bagunça, ainda mais pelo fato do software da fabricante vir recheado com aplicativos pré-instalados. Existe a opção, no entanto, de baixar o LG UI 4.0 – versão antiga do launcher, que possui a gaveta – no LG SmartWorld.

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Falando de apps pré-instalados, a maioria deles são serviços que a própria fabricante oferece, como o LG Health, LG Backup, Música, Clima, Tarefas, QuickMemo+, RemoteCall Service, Suporte LG, entre outros.

Tradicionais truques da LG marcam presença: o Knock Code permite que a tela seja desbloqueada a partir de uma sequência de quatro toques, mesmo que ela esteja apagada; apertar e segurar o botão de multitarefas exibe um menu com atalhos para ajustes; pressionar duas vezes o botão para abaixar o volume abre o app da câmera; e pressionar duas vezes o botão para aumentar o volume abre o QuickMemo+. São perfumarias que no dia-a-dia não fazem tanta diferença, com exceção do atalho para a ativação da câmera.

O processador octa-core da MediaTek de 1.14 GHz, somados aos 2 GB de RAM, dão conta de oferecer uma experiência digna de smartphone intermediário. O aparelho gerencia bem a multitarefa, raramente precisa recarregar aplicativos e a navegação é fluida na maior parte do tempo.

Vez ou outra, ocorrem pequenos engasgos durante a rolagem de uma página ou de apps mais pesados ou com muitas informações, como o Facebook ou o Instagram. E este não é o celular ideal para quem gosta de games: a GPU Mali-T720MP3 é fraca e só consegue rodar jogos casuais como Mini Metro e Candy Crush.

A tela LCD Full HD de 5,2 polegadas tem boa gama de brilho e ângulos de visão amplos. O branco tem um aspecto mais azulado e o preto é ligeiramente acinzentado – características comuns dos displays LCD. Emboras as cores não sejam tão vibrantes, elas são bem equilibradas e a boa resolução tornam o display um ponto positivo.

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O som do alto-falante tem qualidade mediana, mas a posição do speaker incomoda. Ele fica na parte inferior da traseira e, ao assistir a um vídeo, é comum bloquear a saída com o dedo. É bem incômodo para ver séries e filmes no Netflix ou no YouTube, sempre precisei ajustar a posição do celular.

A bateria de 2.520 mAh não é das maiores entre os seus concorrentes, mas é suficiente para passar um dia inteiro longe da tomada. Durante os testes, utilizei a câmera, ouvi música, naveguei no 4G durante grande parte do dia e geralmente restavam de 10% a 15% de carga.

É aconselhável carregar um power pack para os dias que precisar exigir mais do aparelho. Faz falta a tecnologia de carregamento rápido para dar um gás quando se está com pouco tempo e com pouca bateria restante.

Câmera

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A câmera deveria ser um dos destaques do LG X Cam, mas na prática a história é diferente. São dois sensores na traseira: um com 13MP e ângulo de 80° e outro com 5MP e 120°.

As fotos ficam mais interessantes na opção de maior resolução, que consegue entregar imagens bacanas desde que o ambiente esteja muito bem iluminado. Ainda assim, quando tirei algumas fotos ao entardecer, o nível de detalhes caiu absurdamente e, em algumas cenas, era difícil perceber objetos menores. Os resultados são bem piores no sensor de ângulo mais aberto.

Situações com pouca luz ou com luz artificial resultam em fotos sem graça, com cores muito lavadas. Além disso, é difícil focar nos objetos da cena, e movimentos saem borrados com facilidade. Justamente por isso, tirar fotos a noite exige a mão firme.

O aplicativo da câmera é simples. Nele, fazer a troca entre os dois sensores é intuitivo: dois pequenos ícones no canto direito indicam qual deles está sendo utilizado. Existe um modo chamado “Pop Out” que permite utilizar as duas simultaneamente e fazer uma espécie de colagem que podem gerar imagens divertidas.

Ao contrário do app do LG G5, não há um modo profissional que possibilite ajustes de parâmetros específicos, como a velocidade do obturador ou o ISO – aspecto negativo para um celular que se propõe a entregar uma experiência voltada para a câmera.

Vale a pena?

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O LG X Cam é um intermediário que não impressiona como deveria. Ele é bonito, mas a construção não é das mais duradouras: em algumas semanas os primeiros riscos apareceram na parte traseira e os materiais não ajudam muito a disfarçar essa sensação.

O software vem com modificações pouco úteis e uma porção de aplicativos que nunca serão abertos. O desempenho, pelo menos, está dentro do esperado para um smartphone intermediário e não deixa o usuário comum na mão, bem como a autonomia da bateria.

Por fim, as câmeras – que deveriam ser o ponto alto do celular – acabam entregando um resultado dentro da média ou, às vezes, pior do que a concorrência.

Custando R$ 1.199, o LG X Cam é uma aposta arriscada. Por um preço similar, é interessante dar uma olhada nas opções da Motorola, Quantum e Samsung, dependendo de quais sejam suas exigências e características mais importantes num celular. Por menos de R$ 899, o aparelho da LG passa a ser um bom negócio.