Nos últimos anos, a Logitech fez algumas aquisições que permitiram que a empresa se posicionasse no mercado de produtos gamer com mais de uma marca (além da própria Logitech G). Nos headsets, temos a Astro. E no campo dos microfones, a companhia é dona da Blue que, entre alguns produtos para captura de voz e áudio, tem um dos melhores microfones para quem grava podcasts ou faz streaming: o Blue Yeti X.

Trazendo os 25 anos de experiência da Blue no mercado de microfones, o Yeti X mantém a excelência sonora que possibilitou o sucesso da marca. E isso sem mexer tanto no design, também uma característica que torna o produto familiar para criadores de conteúdo e seu público. O microfone ainda ganhou mais customização por meio do já elogiado software da Blue, além de algumas luzes RGB que podem agradar quem gosta desse elemento, sem parecer que ele fique exagerado, como acontece em outros periféricos.

Por se posicionar como uma marca premium, o Blue Yeti X não sai nada barato: R$ 1.599, ou até R$ 2 mil se você optar pela versão que vem com um suporte de suspensão, para deixar o acessório preso a uma mesa. Eu testei o microfone nas últimas semanas e nesta análise te conto minhas impressões positivas e negativas do produto.

Blue Yeti X

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

O que é
Um ótimo microfone USB para usuários que gravam podcasts, entrevistas ou fazem streaming

Preço
Sugerido: a partir de R$ 1.599. No varejo: em média, R$ 1.140

Gostei
Um microfone bem bonito, diga-se de passagem; áudio limpo e cristalino em quatro modos de captura; LEDs na parte frontal fazem a diferença; softwares da Blue e Logitech são excelentes

Não gostei
Muito caro; poderia ter um conector USB-C em vez do microUSB; não vem com pop filter

Design e conectividade

Da mesma forma que é praticamente impossível não reconhecer um HyperX QuadCast, o mesmo posso dizer do Blue Yeti X. Digo mais: ele lembra aqueles antigos microfones que estamos acostumados a ver em filmes de décadas passadas, usados por cantores ou radialistas. E isso se mantém neste modelo, que é inteiro feito de metal. A diferença é que, enquanto o corpo tem um acabamento fosco na cor preta, a “cabeça” do microfone tem um emaranhado em prata, que se repete na base circular, também em um tom metalizado.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Por eu ter testado recentemente o QuadCast, confesso que, no quesito design, minha preferência ficou com o Blue Yeti X. Além das cores mais sóbrias (desculpem fãs de RGB), visualmente ele ficou bem mais bonito na minha mesa de trabalho. A base fica firme na superfície que você for utilizá-lo, mas uma coisa bacana é que você pode girá-lo para os lados sem muito esforço. Por falar em girar, é possível rotacionar a base shock mount do microfone para baixo, diminuindo seu tamanho e facilitando o transporte para outros lugares. Basta afrouxar as tarrachas nas laterais.

Na parte frontal do corpo do microfone tem ainda o logo da Blue e, logo abaixo, um medidor com onze luzes de LED que indicam se o tom da sua voz está muito alto ou baixo — se estiver verde, é porque a captação está ideal. Basta girar para a esquerda ou direita e controlar o nível de captação do áudio. O mesmo botão pode ser usado para ajustar o volume do fone de ouvido pareado com o Yeti X; neste caso, é só tocar e segurar o botão por um breve momento. Por fim, um segundo toque longo do botão permite que você ajuste o quanto você quer ouvir a própria voz durante uma gravação.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Aliás, se você tem um fone de ouvido no formato de 3,5 mm, é possível conectá-los na parte inferior do corpo do microfone. Ao lado fica a entrada microUSB usada para fazer a conexão com o computador por meio de um conector USB-A na outra ponta. Poderia ser USB-C? Sem dúvida. Mas por se tratar de um microfone de mesa, e já que o cabo correspondente vem incluso junto com o produto (obviamente), esse é um fator que não deve fazer tanta diferença. Quanto a isso, mais um detalhe importante: o Yeti X só é compatível com dispositivos via entrada USB (PC e Mac). Então, se você está procurando um microfone para ser usado junto a amplificadores ou mesas de som, pode esquecer.

O que faz diferença, e uma característica para você ficar de olho, é na compra de um pop filter ou uma daquelas espuminhas que ficam em volta das cápsulas de captura do microfone. Além de deixar sua voz mais limpa e com ainda menos ruídos, você evita que pequenas gotículas de saliva possam entrar na trama metálica da parte superior.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Modos de captura e softwares

O Blue Yeti X conta com os mesmos quatro modos de gravação do modelo anterior. O que muda é que a mudança entre um modo e outro agora é feita por um botão de clique na parte traseira (“Pattern”). Ao selecionar um dos quatro modos disponíveis, ele se acende por meio de um pequeno LED. Também são os mesmos modos que você encontra em outros microfones premium, como o já citado HyperX QuadCast e no QuadCast S.

Estes são os modos de captura (da esquerda para a direita, conforme a gravação no Blue Yeti X), segundo o descritivo fornecido pela fabricante:

  • Estéreo — O som é captado pelos canais da direita e esquerda do microfone. Recomendado para vocais, experiências ASMR e instrumentos musicais em gravações acústicas;
  • Omnidirecional — O som é captado em todas as direções do microfone. Recomendado para podcasts com várias pessoas, shows musicas, videochamadas com dois ou mais integrantes e conferências;
  • Cardioide — O som é captado apenas pela frente do microfone. Recomendado para quem grava podcasts sozinho, streaming de jogos, narração e instrumentos musicais;
  • Bidirecional — O som é captado pelas partes frontal e posterior do microfone. Recomendado para entrevistas pessoais, em que o acessório fica entre duas pessoas, por exemplo.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Por padrão, toda vez que o microfone for ligado, ele estará no modo Cardioide, que no final das contas acaba sendo o mais indicado para a grande maioria das gravações.

A Logitech disponibiliza dois softwares específicos para os microfones da Blue. Um deles é o Sherpa, que reúne o básico esperado para uma plataforma de configuração e customização do acessório. Também reúne as funções que você consegue ativar manualmente pelo próprio microfone, com alternar entre os quatro modos de captura, ajustar o volume dos fones de ouvido e ganho de voz, baixar atualizações de firmware, entre outras opções.

O segundo software dedicado é o Blue VO!CE, que não é exatamente um programa, mas sim uma tecnologia embutida nos modelos mais premium dos microfones da Blue, o que inclui o Yeti X, e também no Sherpa. Digamos que o Blue VO!CE é um “plus” aos recursos já existentes no produto, e tem um foco muito maior no controle e edição do áudio. São funções mais voltadas para profissionais que gostam de mexer em detalhes bastante específicos, como remover ruídos indesejados e melhorar a clareza das vozes.

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Ainda vale citar que o Blue Yeti X também pode ser integrado ao software Logitech G Hub, que agrupa periféricos da marca em um só lugar.

Na prática

Eu tive a oportunidade de testar a primeira versão do Yeti, e na época foi um dos melhores microfones que usei. Para o Blue Yeti X, as coisas continuam praticamente as mesmas — e isso é ótimo. Talvez seja pelo fato de ter uma cápsula a mais, em vez das três do modelo original. Mas o fato é que o acessório continua como um dos maiores acertos para quem tem uma grana sobrando e quer investir em um microfone mais robusto.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Em vez de usar os softwares proprietários da Blue e da Logitech, meu uso contínuo foi mesmo em transmissões na Twitch e videoconferências no Discord e Google Meet. Falando por cima, todo mundo que ouvia minha voz pela primeira vez perguntava se eu tinha trocado de microfone, pois ela saída em alto e bom som, com muita transparência e com efeito cristalino. Experimentei deixar o microfone entre 20 cm a 40 cm de distância, e em várias posições ele conseguiu captar minha voz sem que eu precisasse falar em um tom mais alto.

Uma coisa bacana é justamente as luzes de LED que ficam em volta do botão de controle na parte frontal. Como essa é a parte que fica virada para a minha direção, eu consegui checar em tempo real se minha voz durante o streaming ou conversa estava mais alta ou mais baixa, permitindo que eu ajustasse no mesmo instante a sensibilidade de captação. Na maior parte do tempo, o microfone ficou em um cômodo que uso de escritório aqui em casa e, mesmo com um certo eco, minha voz não me fazia parecer que estava falando de dentro de um buraco.

Não que eu tenha esmiuçado seção por seção dos softwares da Blue, mas deu para brincar um pouquinho usando o Sherpa e os recursos do Blue VO!CE. O que me chamou atenção é que o programa já conta com algumas pré-definições vocais, o que significa que mesmo quem entende o mínimo de som ou áudio não terá tanto trabalho em customizar o software à sua maneira. Admito que achei todas elas um tanto iguais entre si, porque, no final das contas, a maior diferença era o nível de volume da minha voz, que ficava mais alta ou baixa. Acredito que, com o uso de algum equipamento de áudio mais profissional, talvez seja mais perceptível notar o que há de diferente, e deve ser por isso que a Blue inclui um número considerável de pré-definições.

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Preciso citar que também gostei muito da integração de fones de ouvido diretamente no software da Blue/Logitech, adicionando uma espécie de equalizador ao headset sincronizado com o Yeti X. Foi só um efeito sonoro mesmo — por exemplo, aumentando o nível dos graves em partidas multiplayer —, mas é um recurso interessante caso você faça uso do microfone junto com algum fone ou headset da Logitech (o que eu usei foi um Logitech G733).

O que pode parecer incômodo algumas vezes é a falta de um pop filter embutido no próprio Blue Yeti X. Antes, deixe eu ressaltar, mais uma vez, que não senti ruído, distorção ou falta de qualidade em nenhum momento durante os meus testes. Por outro lado, ter uma camada protetora em volta das cápsulas sempre é indicado, tanto para manter sua voz cristalina ao longo do tempo quanto para proteger o microfone de respingos de saliva, poeira e afins.

Vale a pena?

Imagem: Caio Carvalho/Gizmodo Brasil

Dizer que o Blue Yeti X é um dos melhores microfones condensadores USB do mercado é como chover no molhado. O produto é uma escolha perfeita para fazer entrevistas, gravar podcasts, fazer streaming nas plataformas de games, participar de videoconferências e até gravar sons vindos de instrumentos musicais, seja você um musicista amador ou membro de uma banda maior. A captação é uma das mais limpas que já testei em um microfone e, apesar de não usar nenhum DSP (processamento de sinal digital), os softwares da Blue/Logitech oferecem a opção de você editar o pós-processamento com muita facilidade.

Quem for comprar o Yeti X certamente já sabe o custo do investimento, já que não é um produto acessível. Oficialmente, a Logitech comercializa o microfone por R$ 1.599 no Brasil. Se você quiser levar o acessório junto com um suporte de mesa, para deixá-lo suspenso igual muito streamer tem feito, o valor salta para R$ 1.999. Isso é mais do que um dos concorrentes diretos do produto, o HyperX Quad Cast S — que ainda tem como diferencial as luzes RGB. Embora o preço seja alto, pode ter certeza que os resultados prometem durar por vários anos, pois a qualidade de gravação é excepcional.