O perfil do Instagram de Sergey Zamkadniy geralmente publica imagens de belos pores-do-sol ou de aventuras ribeirinhas. Seu último trabalho, no entanto, mostra um desastre se desenrolando em tempo real. Uma mina abandonada nos Montes Urais da Rússia manchou os rios de cor laranja.

Zamkadniy tirou fotos do desastre na semana passada. Agora, a AFP informa que as autoridades russas estão iniciando uma investigação sobre uma catástrofe ambiental no país.

Os resíduos são provenientes da mina Levikhinsky, uma mina de cobre abandonada perto da aldeia de Lyovikha, na parte ocidental da Sibéria. Os resíduos deveriam ser armazenados dentro de tanques para serem tratados, mas parece que as chuvas fortes na região causaram um transbordamento.

Estas chuvas também causaram o colapso de uma represa e destruíram uma série de edifícios. De acordo com a AFP, o ambientalista local Andrei Volegov alertou as autoridades russas no ano passado sobre o risco de transbordamento na mina. Eles responderam dizendo que a empresa responsável pelos resíduos não tinha dinheiro para tratar os resíduos, e agora um desastre está se desdobrando.

As águas que correm pela região se parecem muito com o derramamento da mina Gold King de 2015 perto de Silverton, Colorado, nos EUA, que lixiviou metais pesados como chumbo e cobre. Isso foi causado por erro humano, ao contrário do desastre na Rússia que tem sido impulsionado tanto pela proteção ambiental frouxa quanto por chuvas fortes.

Mas independentemente disso, estes tipos de derramamentos são perigosos para a vida selvagem e tudo o que depende dos cursos d’água contaminados (incluindo as pessoas). No caso do desastre do Gold King, as pessoas perderam o acesso à água potável e à irrigação. Moradores da região entraram com uma ação contra o governo federal pedindo US$ 318 milhões por danos.

Casos como esse também nos lembram da tragédia de Mariana e Brumadinho, que aconteceram em 2015 e 2019, respectivamente, no estado de Minas Gerais. O rompimento das barragens foram mais catastróficos do que vazamentos de rejeitos.

É possível que questões semelhantes possam surgir a partir deste desastre em Lyovikha. A vila já lidou com as dificuldades do fechamento da mina décadas atrás. Desde então, o vilarejo é mais conhecido como um lugar de mistérios estranhos e macabros, incluindo a descoberta de 248 fetos mumificados e mais de uma dúzia de mulheres mortas em dois incidentes separados.

Rio com rejeitos perto de uma mina de sulfato de cobre em desuso perto da vila russa chamada Lyovikha nos Montes UraisCrédito: Sergey Zamkadniy/AFP/Getty

A Sibéria como um todo está lidando com grandes catástrofes ambientais além deste desastre. A mudança climática provocou uma onda de calor (e incêndios) que bateu recordes este ano.

Além do calor, outra empresa mineradora está por trás não de uma, mas de duas outras catástrofes este ano. A Nornickel liberou rejeitos industriais de uma de suas plantas de processamento em cursos d’água próximos. Isto aconteceu nem mesmo um mês depois que o degelo permafrost causou o colapso de um tanque de diesel em outra de suas instalações e derramou 20.000 toneladas de diesel, tornando um rio vermelho.

A Rússia está passando por um momento difícil. O país está situado no Ártico, que já enfrenta a pressão ambiental do aquecimento global. No entanto, o país está falhando em responsabilizar as empresas e em tomar medidas para proteger seus recursos naturais.