Shimon, um robô tocador de marimba, existe há anos, mas seus desenvolvedores da Georgia Tech recentemente levaram essa máquina musical futurista para outro nível. Usando aprendizagem profunda, o robô pode agora estudar grandes conjuntos de dados de músicos reconhecidos e então produzir e apresentar suas próprias composições originais.

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Shimon originalmente foi desenvolvido por Gil Weinberg, diretor do Center for Music Technology, da Georgia Tech. Na sua programação original, o robô era capaz de improvisar música conforme tocava junto com humanos, usando um algoritmo de “interesse” para ter certeza de que não estava imitando seus colegas de banda. Mas agora, de acordo com os esforços do estudante de PhD Mason Bretan, Shimon acaba de virar um compositor, capaz de autonomamente gerar a estrutura melódica e harmônica de uma canção. E você quer saber? As músicas de Shimon são muito boas!

Para transformar Shimon em uma máquina autônoma produtora de música, os pesquisadores recorreram à inteligência artificial. Usando aprendizado profundo, o robô estudou bancos de dados de quase cinco mil canções existentes, incluindo composições de Beethoven, dos Beatles, de Miles Davis e Lady Gaga. O robô também teve acesso a mais de dois milhões de motivos musicais, frases e trechos de música. Para começar uma composição, Bretan geralmente oferece uma “semente” de música para o robô que inclui os quatro primeiros compassos. A partir daí, é tudo feito por Shimon.

“Quando Shimon aprende os quatro compassos que damos para ele, ele cria sua própria sequência de conceitos e compõe sua própria peça”, disse Bretan, em um comunicado à imprensa. “As composições de Shimon representam como a música soa e parece quando um robô usa redes neurais profundas para aprender tudo que sabe sobre música a partir de milhões de segmentos feito por humanos.”

Os pesquisadores dizem que é a primeira vez que um robô usou aprendizado profundo para criar música. Você pode ouvir as duas primeiras composições de Shimon, que tem aproximadamente 30 segundos de comprimento, logo aqui:

Antes, Shimon era capaz apenas de tocar monofonicamente (uma nota por vez), mas agora ele pode tocar harmonias e acordes e está começando a compor mais como um humano. Ao invés de apenas focar na próxima nota, Shimon agora está tendo uma abordagem mais holística da composição, desenvolvendo medidas significativas e uma semântica musical de alto nível.

“Esse é um salto na qualidade musical de Shimon, porque ele está usando aprendizagem profunda para criar uma composição mais estruturada e coerente”, disse Weinberg. “Nós queremos explorar se robôs podem se tornar mais criativos musicalmente e gerar novas músicas que os humanos possam achar lindas, inspiradoras e estranhas.”

Ao ouvir as composições, fica claro que Shimon é um bom estudante, tirando inspiração do extenso conjunto de dados que recebeu. “[As peças] soam como jazz fusion e música clássica”, disse Bretan. “Eu definitivamente ouço mais clássico, especialmente na harmonia. Mas você também vê mudanças cromáticas na primeira peça, isso definitivamente é algo que você ouve no jazz.”

Eu preciso dizer, isso é bem maneiro. O robô está produzindo música original e significativa, em grande parte sem intervenção humana. Ele também é uma forma muito inovadora de criar novas composições (os caras do Kraftwerk certamente adorariam isso). Mas, para constatar o óbvio, essa máquina ainda está a anos-luz de produzir música que pareça genuinamente humana. Resumindo, a música de Shimon não tem muita alma.

[Georgia Tech]

Imagem do topo: Reprodução