As gigantes do varejo estão cada vez mais atribuindo trabalhos e tarefas antes realizados por humanos a uma crescente força de trabalho robótica. Uma notícia sobre a automação de postos de trabalho do Walmart revelou que essa prática tem levado a uma maior sensação de tédio e desconforto entre alguns funcionários humanos, mesmo quando a empresa insiste que os robôs foram criados para beneficiá-los.

Washington Post publicou na quinta-feira (6) que, embora alguns funcionários do Walmart que trabalham em cerca de 1.500 locais onde esses robôs foram incluídos tenham os descrito como úteis, outros afirmaram que os robôs tornaram seus empregos menos agradáveis ​​e os fizeram se sentir desvalorizados pela empresa. Segundo esses funcionários, o ambiente de trabalho está cada vez mais monótono, e eles estão efetivamente cuidando e treinando os robôs, sentindo-se limitados pelo trabalho de executar tarefas delegadas por máquinas.

O Walmart alega que seus robôs — cujas tarefas incluem tudo, desde limpar pisos, escanear prateleiras e ordenar estoques — devem “minimizar o tempo que um funcionário gasta em tarefas mais mundanas e repetitivas” e permitir que seus funcionários “tenham mais oportunidades de fazer o que eles são especialmente qualificados para: atender os clientes no andar de vendas”.

Ao ser contatado pelo Gizmodo por telefone, um porta-voz do Walmart insistiu que os robôs dão aos funcionários a oportunidade de se livrarem de tarefas “extremamente mundanas e repetitivas”, como lavar o chão por duas horas todo dia ou escanear milhares de etiquetas de estoque manualmente.


Imagem: Walmart

O porta-voz argumentou que, no caso da lavadora de piso Auto-C do Walmart, por exemplo, essas máquinas vagam pelos corredores das lojas, mas não podem limpar espaços como banheiros, áreas com prateleiras de roupas, pistas de check-out ou outros espaços apertados que não podem ser alcançados pelos robôs. As tarefas nessas áreas ainda precisam ser realizadas por trabalhadores humanos, e a eliminação de parte desse trabalho de limpeza, digitalização ou classificação pode permitir que eles realizem outras tarefas necessárias ou atendam os clientes, segundo o porta-voz.

Ele ainda afirmou que, à medida que o Walmart tem lançado essas tecnologias em suas gigantescas lojas, “o feedback que estamos recebendo de associados e clientes é positivo”. De acordo com o Post, no entanto, até clientes estão tendo problemas para se adaptarem aos robôs:

Alguns clientes ficaram assustados, por exemplo, com o scanner Auto-S, que tem 1,80 m de altura e se desloca silenciosamente pelos corredores, passando pelas prateleiras com um feixe de luz em busca de itens fora do lugar. Outros clientes, disseram funcionários da loja, ficaram brincando de chutar as coisas.

O texto do Post sobre automação criando um ambiente de trabalho cada vez mais monótono, confinado e entorpecedor para os funcionários do Walmart imediatamente faz lembrar relatos semelhantes sobre a rival Amazon, que também vem tentando implementar robôs em suas operações há anos.

De fato, a Amazon alega que seu objetivo final de criar armazéns totalmente autônomos está a cerca de 10 anos de se tornar realidade (mesmo que ainda tenhamos razão para sermos céticos quanto a essa afirmação). Essa mudança em direção a uma maior automação também criou problemas para alguns funcionários da Amazon, que afirmam que seu trabalho é cada vez mais entediante e menos desafiador do que antes de os robôs começarem a executar partes de seus trabalhos.

Mas, assim como a Amazon — que afirma que sua gamificação do trabalho vem com a melhor das intenções –, é difícil levar a sério as alegações do Walmart de priorizar a felicidade dos funcionários quando a empresa está essencialmente exigindo que seus trabalhadores humanos treinem, como o Post disse, “seus possíveis substitutos”.