Há algum tempo surgiu a suspeita de que os secadores de mãos, daqueles que jogam um jato de ar quente, não são muito higiênicos. Uma nova pesquisa sugere que esses aparelhos podem até mesmo espalhar doenças em banheiros de hospitais.

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Cientistas do Reino Unido, França e Itália se juntaram para um estudo com a expectativa de resolver de uma vez por todas a questão sobre os secadores.

Eles monitoraram a transmissão de diversas bactérias conhecidas por causar doenças, como a Staphylococcus aureus, em banheiros públicos de hospitais de cada país.

Os seis banheiros do estudo tinham um secador a jato, mas também podiam ter toalhas de papel. Apenas um deles foi utilizado em cada banheiro, permitindo que a equipe comparasse diretamente o desempenho de cada método no mesmo hospital.

Havia algumas diferenças entre os hospitais – os banheiros do Reino Unido, por exemplo, eram visitados com muito mais frequência, enquanto os banheiros italianos tinham menos bactérias.

Ainda assim, um padrão consistente foi percebido: os banheiros que utilizavam os secadores a jato tinham mais germes do que banheiros que utilizavam apenas papel toalha.

As descobertas foram publicadas no periódico Journal of Hospital Infection.

Nos hospitais do Reino Unido, por exemplo, eles encontraram três vezes mais bactérias S. aureus resistentes nos banheiros com secadores a jato. Na França, foi detectado o dobro de bactérias resistentes a múltiplos antibióticos nos banheiros com o aparelho.

As descobertas são preocupantes porque bactérias super resistentes geralmente são criadas e se espalham em hospitais, onde podem infectar pessoas com mais facilidade.

A contaminação adicional não é culpa apenas dos secadores a jato, uma vez que as pessoas que não lavam as mãos corretamente levam esses germes para a região do aparelho. No entanto, o projeto dessas máquinas fazem com que as bactérias sejam espalhadas com mais facilidade.

“Como efeito, o secador cria um aerossol que contamina o banheiro, incluindo o secador em si e potencialmente as pias, o chão e outras superfícies, dependendo de onde o secador estiver e qual foi o design dele”, disse Mark Wilcox, professor de microbiologia médica na Universidade de Leeds no Reino Unido e autor do estudo.

As toalhas de papel, por outro lado, absorvem a água e as bactérias em nossas mãos, interrompendo a cadeia de contaminação de forma mais efetiva.

O estudo não é o primeiro a apontar que os secadores a jato são mais suscetíveis a espalhar germes se comparado com toalhas de papel e secadores menos potentes.

Mas ainda há algum debate sobre o tema: alguns não acreditam que a diferença entre os métodos realmente existe ou se existe e chega a ser significativa.

As empresas que produzem e vendem esses secadores, como a Dyson, criticaram os estudos negativos e divulgaram pesquisas próprias mostrando que os secadores de jato são, na verdade, mais seguros. Algumas pesquisas independentes também sugeriram que os secadores de mãos não são muito mais perigosos.

Mas dado o contexto e a grande escala do estudo, os autores argumentam que os benefícios de economia dos secadores não valem os riscos para a saúde, pelo menos nos hospitais.

Na França, os secadores de mãos já estão barrados em banheiros para pacientes, embora o motivo seja o barulho que eles produzem.

Segundo os autores, países e hospitais devem reforçar suas diretrizes de controle de infecção garantindo que os secadores de ar não sejam usados em hospitais.

[Journal of Hospital Infection]

Imagem do topo: gentle07 (Pixabay)