Na semana passada, a grande maioria dos membros da International Alliance of Theatrical Stage Employees (IATSE), sindicato que representa os trabalhadores dos estúdios nos Estados Unidos, votaram a favor da autorização de uma greve nacional. A medida paralisaria imediatamente as produções de filmes e séries em todo o país. Agora, o sindicato deixa claro que pretende cumprir sua palavra.

Na última quarta-feira (13), o presidente da IATSE, Matthew D. Loeb anunciou em seu Twitter que os 60 mil membros do sindicato realizarão uma greve na segunda-feira (18). Isso deve acontecer caso as negociações com a Alliance of Motion Picture and Television Producers (AMPTP), que representa grandes produtoras de cinema e televisão, continuem sem avanços.

Este comunicado oficial da IATSE para a imprensa destaca que, embora a aliança esteja mais do que comprometida em continuar as negociações com o AMPTP, os membros sentiram que era necessário dar uma data concreta para um possível ultimato — considerando que as negociações já se estendem por meses e ainda não chegaram a nenhum acordo.

“O ritmo da negociação não reflete um senso de urgência”, disse Loeb. “Sem uma data de término, poderíamos continuar conversando para sempre. Nossos membros merecem ter suas necessidades básicas atendidas agora.”

Entendendo o impasse

Hollywood: Thomas Wolf
Foto: Thomas Wolf

Os membros do IASTE trabalham nos bastidores da TV e Cinema como designers, animadores, figurinistas e técnicos de produção. Muitos reclamam de condições precárias de trabalho.

Entre os principais problemas estão serviços considerados insalubres, remuneração não compatível com a (grande) demanda, falta de descanso durante os intervalos para refeições, dias de trabalho e nos fins de semana e, por último, uma classificação mais igualitária para produções de streaming — cujos funcionários costumam receber menos do que os colegas que trabalham em produções de televisão tradicionais.

O IATSE vem recebendo apoio de celebridades, políticos e de outros sindicatos dos EUA ligados ao entretenimento — como o dos diretores, atores e roteiristas.

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Uma greve da categoria pode significar mais que a paralisação de séries e filmes que estão em andamento — mas um golpe duro para o setor. A indústria do entretenimento, afinal, está em um momento delicado, se recuperando da pandemia Covid-19 após suspender gravações por quase um ano e meio. Sem contar que produções em streaming vem sendo lançadas num ritmo mais frenético, para satisfazer a demanda do público por novidades mensais nos catálogos.