Sua sinusite crônica pode ser um prenúncio de mais problemas no futuro, sugere uma nova pesquisa divulgada na sexta-feira (9). O pequeno estudo encontrou evidências de uma ligação entre a inflamação crônica dos seios da face e uma alteração na atividade cerebral, possivelmente prejudicial. As descobertas não provam necessariamente que as duas coisas estão diretamente conectadas, mas destacam a necessidade de mais estudos.

Os seios da face são os espaços ocos ao redor de nossa cavidade nasal e acredita-se que eles servem ​​principalmente para manter o nariz úmido e protegido ao fornecer muco. Eles podem ficar inflamados ocasionalmente por breves períodos de tempo devido a infecções, mas algumas pessoas têm o azar de desenvolver uma inflamação crônica dos seios da face, ou rinossinusite crônica.

É claro que ninguém se sente bem com o nariz entupido e, nos últimos anos, houve indícios de uma ligação entre a inflamação crônica dos seios da face e a diminuição da cognição. Estudos descobriram, por exemplo, que os pacientes têm um desempenho pior em testes de sua função cognitiva do que os controles semelhantes e que seu desempenho melhora depois que começam a receber tratamento para a condição. E os próprios pacientes descreveram uma sensação de “névoa cerebral”, além de outros sintomas físicos, que podem incluir congestão nasal, paladar e olfato reduzidos e dor ou desconforto facial.

Este novo estudo, publicado na sexta-feira no JAMA Otolaryngology – Head and Neck Surgery, parece ser um dos primeiros a tentar buscar as bases físicas desta ligação. Os pesquisadores examinaram dados do Human Connectome Project, um estudo do cérebro humano patrocinado pelo governo dos Estados Unidos. O projeto é uma tentativa de mapear e compreender os circuitos do cérebro e como essas conexões realmente ajudam o funcionamento do corpo. Ele é amplamente baseado em dados de neuroimagem coletados de mais de mil voluntários saudáveis ​​e adultos jovens, que também passaram por uma bateria de testes cognitivos.

Fora desse projeto, os pesquisadores analisaram um grupo de 22 pessoas que pareciam ter inflamação crônica dos seios da face e os compararam a um grupo semelhante de pessoas sem inflamação. Em relação ao grupo de controle, as pessoas com inflamação parecem ter diminuído a conectividade funcional em áreas do cérebro essenciais para a cognição: a rede frontoparietal, que nos ajuda a permanecer focados e resolver problemas, e a rede de saliência, que nos ajuda a distinguir estímulos importantes e desempenha um papel em nossa capacidade de comunicação e outros comportamentos sociais. Eles também encontraram conectividade aumentada na rede de modo padrão, que é mais ativa quando estamos em repouso e não focados em nenhuma tarefa específica, como enquanto sonhamos acordados.

É importante ressaltar que as pessoas com inflamação crônica dos seios da face não tiveram um desempenho pior em seus testes cognitivos do que o grupo de controle. Mas as descobertas sugerem que algo pode estar acontecendo em seus cérebros que é visivelmente diferente daqueles sem inflamação, e de maneiras que poderiam explicar os sintomas de névoa cerebral que os pacientes podem sentir. Como as pessoas neste estudo eram jovens, também é possível que mudanças mais perceptíveis em sua cognição relacionadas à inflamação simplesmente não tenham aparecido ainda — mudanças que poderiam surgir se sua inflamação não fosse tratada.

Ainda assim, os autores têm o cuidado de enquadrar sua pesquisa como uma prova de conceito, uma tentativa de mostrar que essa ligação precisa ser estudada mais de perto. Essa pesquisa adicional pode não apenas confirmar que a inflamação dos seios da face pode prejudicar nossos cérebros, mas também fornecer oportunidades para que mais tratamentos para a condição comum sejam encontrados. Acredita-se que a inflamação crônica dos seios da face afete até um em cada 10 norte-americanos. Embora existam tratamentos como antibióticos ou cirurgia, ela muitas vezes reaparece e pode levar anos até que os pacientes encontrem um alívio duradouro.

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“O próximo passo seria estudar as pessoas que foram clinicamente diagnosticadas com sinusite crônica. Pode envolver escanear os cérebros dos pacientes, fornecer um tratamento típico para doença sinusal com medicação ou cirurgia e, em seguida, escanear novamente para ver se sua atividade cerebral mudou. Ou podemos procurar por moléculas inflamatórias ou marcadores na corrente sanguínea dos pacientes”, disse o autor principal Arie Jafari, cirurgião e professor assistente da Escola de Medicina da Universidade de Washington, em um comunicado.

Por enquanto, a equipe espera que suas descobertas tornem os médicos mais conscientes de que essa condição crônica pode estar afetando seus pacientes de maneira mais profunda.

“Nosso cuidado não deve se limitar a aliviar os sintomas físicos mais evidentes, mas todo o fardo da doença dos pacientes”, disse Jafari.