Até uma semana atrás, a ideia maluca de que uma empresa distribuiria internet em todo o planeta a partir do céu era apenas isso: uma ideia maluca. Mas, no espaço de poucos dias, ouvimos detalhes de não um, mas três gigantes da tecnologia que querem fazer exatamente isso. Essa fantasia está se tornando realidade, e rápido.

Confirmando rumores, a SpaceX anunciou uma nova rodada de financiamento no valor de US$ 1 bilhão para o projeto de internet espacial de Elon Musk. Entre os novos investidores estão o Google e empresas de capital de risco, como Fidelity, Founders Fund e outros. Os novos investidores agora possuem cerca de 10% do novo empreendimento da SpaceX.

Alguns dias antes, a Virgin Group – do bilionário Richard Branson – e a Qualcomm anunciaram que vão investir na OneWeb, um projeto semelhante ao de Elon Musk, criado por seu amigo Greg Wyler.

Estes investimentos fazem de Elon Musk e Richard Branson nossos pioneiros na internet espacial. Mas por que eles estão de repente interessados em construir uma internet no espaço? Bem, primeiro porque eles já possuem empresas privadas de exploração espacial – respectivamente, a SpaceX e Virgin Galactic. Isso facilita na hora de levar satélites ao espaço para fornecer internet.

Esta também pode ser a única forma de oferecer acesso à internet para bilhões de pessoas na Terra sem criar uma infraestrutura basicamente insustentável. E mais: isso pode render uma bela fortuna (adicional) para eles.

SpaceX vs. OneWeb

Tanto a SpaceX como a OneWeb provaram que podem enviar as coisas para o espaço. Há alguns meses, a SpaceX lançou um foguete Falcon 9 em órbita equipado com o Cassiope, um sistema de transferência de arquivos super-rápido da agência espacial canadense.

Ele fica em órbita baixa – assim como ficarão os satélites de Elon Musk – e orbita a Terra a cada 90 minutos. O sistema funciona pegando dezenas de gigabytes na fonte, orbitando até o destino, e despejando os dados. Dessa forma, o Cassiope é capaz de enviar dados a incríveis 2.100 Mbps.

Enquanto isso, a OneWeb indiscutivelmente tem mais experiência no ramo de internet espacial do que qualquer outra. Greg Wyler começou a trabalhar no ramo em 2007, na empresa O3b, que lançou quatro satélites em órbita em 2013, e mais quatro em 2014. Eles ofereciam velocidades de até 2,1 Mbps.

Além disso, a OneWeb possui o espectro necessário para operar uma rede em órbita. Richard Branson acredita que isso é o que realmente importa. Ele diz ao Wall Street Journal:

Eu não acho que Elon pode fazer algo para competir. Greg tem os direitos, e não há espaço para outra rede – fisicamente não há espaço o bastante. Se Elon quer entrar nesta área, o mais lógico para ele seria se juntar a nós, e se eu fosse um homem de apostas, eu diria que as chances de nós trabalharmos em conjunto – e não separados – seriam muito maiores.

Imagine se Richard Branson, Elon Musk, Sergey Brin e Larry Page se unissem para criar o futuro da infraestrutura da internet no espaço e além. Independentemente de quem vencer a corrida espacial da internet, bilhões de pessoas podem se beneficiar. Vamos só torcer que tudo corra bem, e que os planos não demorem tanto para se concretizar – estamos ansiosos para viver nesse futuro.

Foto por SpaceX