Supernovas já são algumas das explosões mais brilhantes do universo – mas existe um tipo mais misterioso, chamado de superluminous supernovae, ou hipernova, que pode brilhar cem vezes mais forte que a versão normal. E em 22 de agosto de 2016, astrônomos avistaram uma hipernova cuja luz viajou por mais de 10 bilhões de anos para chegar até nós.

A descoberta do evento, nomeado de DES16C2nm, foi empolgante o bastante por si só, já que ela seria normalmente invisível a telescópios se não fosse o fato do universo estar se expandindo, desta forma esticando a luz da explosão em comprimentos de onda que podem ser vistos da Terra. De forma mais geral, estes flashes nos contam a história do nosso universo, como o tipo de coisa que vive entre as estrelas em galáxias distantes, e outras peculiaridades do cosmos.

Foto incrível de uma supernova em seu pico de brilho foi capturada pelo Hubble
Cientistas encontram sinais escondidos no fundo do mar de uma antiga supernova

“Quanto mais distante for a supernova que vemos, maiores são as informações que tiramos destas estrelas”, disse ao Gizmodo uma das autoras do estudo, Charlotte Angus, da Universidade de Southampton, no Reino Unido.

A equipe avistou a DES16C2nm pela primeira vez usando dados de seu instrumento de monitoramento dos céus localizado no Chile. Ele foi priorizado para observações de seguimento para tentar encontrar o espectro da luz, que vieram de observações no Telescópio Magellan Clay, Keck II, o Very Large Telescope e outras observações terrestres.

A hipernova normalmente libera, sobretudo, luz ultravioleta, o que astrônomos têm dificuldade de avistar na superfície da Terra já que seus comprimentos de onda são absorvidos pela atmosfera, disse Angus. Por sorte, o universo está expandindo, então a luz dessa distante supernova se esticou em comprimentos de onda ópticos que astrônomos conseguiam ver. No caso, a DES16C2nm não tinha hidrogênio, insinuando que ela veio de um enorme objeto evoluído. Uma estrela mais leve ou menos evoluída teria muito mais hidrogênio.

O objeto é importante não apenas por si só, mas para o futuro da astronomia. Essas hipernovas parecem ser mais comuns conforme cientistas observam lugares cada vez mais distantes no espaço, de acordo com um artigo publicado recentemente no The Astrophysical Journal. Neste caso, é importante que os pesquisadores aprendam agora tudo o que puderem sobre estes distantes eventos astronômicos. Os telescópios do futuro, como o Large Synoptic Survey Telescope, Euclid, e o ainda-não-morto Wide Field Infrared Survey Telescope (WFIRST, ou Telescópio para Pesquisa com Infravermelho em Campo Amplo, em tradução livre) podem ser capaz de avistar ainda mais hipernovas.

Essa é a supernova mais distante a ser confirmada de maneira espectral – isso é, cujo espectro da luz foi analisado para confirmar a sua identidade. Mas ela não é a candidata mais distante. Pesquisadores avistaram duas outras em 2012 e puderam medir a distancia da luz de cada uma (as duas mais distantes que essa hipernova), mas não foi possível confirmar a identidade espectral delas.

Os 13,8 bilhões de anos do universo estão escritos no espaço, esperando ser descobertos por nossas tecnologias ópticas de ponta. A DS16C2nm pode ser a supernova mais distante até então, mas não há dúvida que muitas outras aguardam ser encontradas.

Imagem de topo: Mat Smith/Universidade de Southampton