Pesquisadores do Reino Unido criaram um sistema de filtragem do sangue que promete tratar malária, leucemia, overdose de drogas, Covid-19 e outras condições.

O sistema, chamado MediSieve, utiliza nanopartículas magnéticas que se ligam a moléculas prejudiciais presentes no sangue. Assim, a técnica é capaz de remover células cancerígenas e patógenos à medida que o sangue passa pela máquina — a mesma utilizada para hemodiálise — conectada ao paciente.

A técnica foi criada pelo engenheiro George Frodsham, que fundou a empresa MediSieve para desenvolver e comercializar a tecnologia. Ele estava estudando como as nanopartículas magnetizadas poderiam se ligar às células para torná-las detectáveis durante o processo de imageamento e concluiu que isso também poderia ser utilizado para remover determinadas células do sangue.

Para realizar essa filtragem, são utilizadas partículas magnéticas que carregam anticorpos e outras moléculas de ligamento em sua superfície e que conseguem “grudar” apenas em alvos específicos. Em seguida, um filtro magnético captura essas partículas juntamente com as moléculas prejudiciais. Os outros componentes saudáveis fluem normalmente pelo filtro e retornam ao corpo do paciente.

Todo o procedimento dura em torno de duas a quatro horas, sendo que as partículas magnéticas permanecem fora do corpo do paciente. O sangue é processado diversas vezes para garantir que o máximo de células sejam capturadas.

O sistema não é capaz de remover todas elas, mas reduz significativamente a ponto de deixar apenas uma concentração baixa o suficiente para que o próprio sistema imunológico elimine o resto. Segundo Frodsham, também é possível continuar a terapia com medicamentos para finalizar essa limpeza do sangue.

Por enquanto, o sistema está sendo testado para tratar malária. Conforme explica o fundador da MediSieve, os parasitas da doença invadem as células vermelhas e consomem a hemoglobina, deixando resíduos a base de ferro — e que também são consumidos. Portanto, esses parasitas se tornam naturalmente magnéticos, o que facilita o processo de filtragem já que não são necessárias as nanopartículas magnéticas.

A expectativa é que esse procedimento aumente significativamente as chances de sobrevivência de um paciente. No futuro, os pesquisadores querem utilizar a tecnologia para tratar outras doenças, incluindo leucemia, sepse e Covid-19.

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De acordo com Cristina Blanco-Andujar, Chief Technology Officer da empresa, estudos anteriores mostraram que pacientes que apresentaram um quadro mais grave de Covid-19, assim como os que faleceram devido à doença, apresentaram altos níveis de IL-6, uma citocina inflamatória comum que eles também encontraram em suas pesquisas anteriores sobre o tratamento de sepse.

Já existem medicamentos capazes de suprimir o sistema imunológico a fim de controlar os níveis de IL-6. No entanto, reduzir a imunidade de um paciente enquanto o corpo tenta combater uma infecção pode não ser uma boa ideia. É por isso que remover os patógenos com o sistema de filtragem seria extremamente benéfico ao tratamento, explica Blanco-Andujar.

[Natural News]