As ruas de Guadalajara se tornaram rios no último fim de semana. Uma poderosa tempestade despejou chuva e granizo sobre a cidade mexicana. Quando a lama finalmente se assentou, partes dela ficaram enterradas sob o granizo, que chegou a uma altura de um metro e meio.

As cenas no domingo e da segunda-feira, quando as equipes de trabalho da cidade cavavam as ruas, pareciam com aquelas que normalmente vemos depois de uma nevasca, exceto pelos telhados de terracota e as palmeiras como pano de fundo. Carros foram levados e ficaram em um mar de árvores brancas. Galhos foram quebrados ao meio. Os cidadãos foram forçados a pedalar, andar e até mesmo navegar por estradas e calçadas cobertas em granizo.

Segundo a BBC, 200 casas foram danificadas e dezenas de veículos foram carregados em toda a região.

O serviço meteorológico mexicano alertou no fim de semana que uma “forte chuva” atingiria Guadalajara e o estado de Jalisco como um todo. O estado está acostumado ao mau tempo do verão, mas uma tempestade de granizo como essa foge dos padrões. Espera-se que as temperaturas máximas fiquem entre 26°C e 31°C, derretendo as grossas camadas de gelo das tempestades e potencialmente levando a inundações localizadas.

“Eu nunca vi essas cenas em Guadalajara”, disse Enrique Alfaro, governador do estado, à Al-Jazeera.

Ele ligou o acontecido a mudanças climáticas, apesar de não haver muitas evidências de seus impactos especificamente em Jalisco. Apesar disso, os eventos de precipitação extrema estão se tornando mais comuns à medida que o planeta esquenta.

Quanto mais quente a atmosfera, mais água ela pode conter, o que pode levar a chuvas mais fortes, com granizo ou não. Fatores que podem gerar eventos climáticos extremos também podem aumentar em um mundo cada vez mais quente.

Ainda não se sabe esta tempestade de granizo em particular é um sinal de mudança climática, mas, independentemente disso, é provavelmente uma boa ideia se preparar para precipitações mais intensas agora e no futuro.

Jalisco está em sua estação de chuvas, que começa em junho graças à migração de uma faixa de tempestades que circunda o globo, conhecida como Zona de Convergência Intertropical ou ZCIT. Ela oscila para o norte e para o sul ao longo do ano, seguindo o verão dessas regiões, onde pode desencadear um clima muito severo.

Tempestades de granizo podem se tornar parte desse clima severo quando o ar quente sobe e puxa pequenas gotas de água com ele. À medida que essas gotículas sobem para a atmosfera gélida, elas podem se tornar — e eu juro que esse é o termo técnico — gotas de água supergelada. Elas acabam congelando e começam a cair antes de serem sugadas de volta para cima da linha congelante nas nuvens. Isso funde toda a água e pronto, você tem granizo. No caso de Guadalajara, muito granizo.

Confira mais algumas imagens e vídeos abaixo mostrando a tempestade e as consequências.