O rover Perseverance, que está explorando Marte, teve um dos seus sensores meteorológicos danificado após ser atingido por uma forte rajada de vento.

Batizado “Mars Environmental Dynamics Analyzer” (MEDA), o instrumento é responsável por fazer medições como umidade, radiação e temperatura do ar na superfície do planeta. O equipamento danificado foi justamente um dos sensores que mede a velocidade e direção dos ventos.

Segundo o site Space, o sensor do tamanho de uma régua ainda funciona, porém, com uma sensibilidade reduzida. Acredita-se que ele tenha sido atingido por grãos de areia ou seixos de rochas carregados por ventos com velocidades mais altas do que o esperado.

Esses sensores são particularmente vulneráveis ​​porque devem permanecer expostos ao vento para medi-lo corretamente. Apesar de contarem com um revestimento adicional de proteção, os fortes ventos marcianos conseguiram danificar o instrumento.

Detalhe do braço que carrega os instrumentos meteorológicos do rover Perseverance. Imagem: NASA/Divulgação

Conforme apontou Rodriguez Manfredi, cientista do Centro Espanhol de Astrobiologia em Madri, a NASA não previa que o Perseverance seria alvo de ventos tão fortes, nem que existiria tanto material solto na superfície de Marte. “Toda a equipe está agora reajustando o procedimento de recuperação para obter mais precisão das leituras do detector não danificadas”, disse Manfredi.

Ventos em Marte

Em junho, a NASA revelou que o Perseverance vem testemunhando ao longo de sua missão os ventos mais intensos já registrados por uma sonda enviada ao planeta vermelho. Em um dia típico, o rover chega a registrar pelo menos quatro redemoinhos de poeira.

Como Marte tem uma atmosfera mais fina em comparação com a da Terra, o planeta experimenta fortes rajadas de vento, que variam entre 16 a 32 km por hora.

Porém, a cratera de Jezero – onde está o Perseverance – apresenta uma maior atividade dos ventos por estar localizada em uma “trilha de tempestade de poeira”, que corre do norte ao sul do planeta. Segundo um estudo publicado no Science Advances, o rover chegou a registrar ventos com velocidade superior a 50 km/h. Além disso, a cratera tem uma rugosidade maior que facilita o levantamento da poeira pelo vento.