Workaholics, tomem cuidado! O excesso de trabalho pode acarretar em uma morte precoce. É o que indica uma pesquisa da Organização Mundial da Saúde (OMS) e a Organização Internacional do Trabalho das Nações Unidas. O estudo, que se baseou em dados de quase 200 países, estima que 745 mil pessoas morreram em 2016 com doenças cardíacas e derrame cerebral associadas a longas horas de trabalho.

No mesmo ano, cerca de meio bilhão de pessoas em todo mundo trabalharam mais do que deveriam, de acordo com o relatório publicado na revista científica Environment International, na última segunda-feira (17). A nova descoberta é considerada a primeira pesquisa que tenta estimar globalmente o dano e mortes relacionadas a excesso de trabalho.

Os especialistas estimam que cerca de 488 milhões de pessoas, ou 9% dos trabalhadores em todo o mundo, trabalharam mais de 55 horas por semana em 2016. Os pesquisadores também concluíram que as longas horas podem ser o maior fator de risco ocupacional que os trabalhadores enfrentam, com as mortes relacionadas ao trabalho sendo responsáveis ​​por 3,7% e 6,9% das mortes devido a doenças cardíacas e derrame, respectivamente.

O arquivo também mediu o impacto a longo prazo. Segundo o texto, a maioria dessas mortes envolveu pessoas com idades entre 60 e 79 anos, que trabalharam regularmente longas horas anos ou décadas antes. Outro agravante é o Home Office em decorrência da pandemia, explica o Diretor-Geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesu. “O teletrabalho se tornou a norma em muitas indústrias, muitas vezes confundindo as fronteiras entre casa e trabalho”. Ele ainda destaca que “muitas empresas foram forçadas a reduzir o quadro de funcionários, e consequentemente as pessoas que ficaram acabam trabalhando mais”, completa.

É evidente que a longa jornada de trabalho e pouco cuidado com a saúde ocasionará alguns problemas, especialmente doenças cardiovasculares. Isso porque o nível de estresse gerado afeta o corpo, o sistema cardiovascular e tem impacto no comportamento diário como não dormir suficiente, não fazer exercícios e ou manter uma rotina saudável.

“Trabalhar 55 horas ou mais por semana é um sério risco à saúde”, alerta Maria Neira, diretora do Departamento de Meio Ambiente, Mudanças Climáticas e Saúde da OMS. “É hora de todos nós, governos, empregadores e funcionários acordarmos para o fato de que longas horas de trabalho podem levar à morte prematura”, disse em comunicado divulgado pela agência.

Os efeitos do excesso de trabalho na saúde só pioraram com o tempo. Entre 2000 e 2016, os autores da pesquisa estimaram que as mortes por doenças cardíacas relacionadas com longas horas de trabalho aumentaram 42%, enquanto as mortes por acidente vascular cerebral aumentaram 19%. Entretanto, Ghebreyesu alerta: “nenhum trabalho vale o risco de acidente vascular cerebral ou doença cardíaca. Governos, empregadores e trabalhadores precisam trabalhar juntos para chegar a um acordo sobre limites para proteger a saúde dos trabalhadores”, finaliza.