A Índia é o maior mercado do WhatsApp no mundo, com 200 milhões de usuários, que também são responsáveis pelo maior número de encaminhamentos de mensagens, fotos e vídeos na plataforma entre todos os países. Os números são impressionantes, mas trazem consigo também uma triste realidade: o país tem sido afetado por inúmeros casos de linchamentos alimentados pela disseminação de notícias falsas no app de mensagens. E a empresa agora assumiu um compromisso de ajudar as autoridades a combater o problema, criando ferramentas para frear e reprimir o fenômeno.

• De olho no combate às fake news, WhatsApp vai limitar uso do recurso encaminhar
• WhatsApp vai oferecer bolsas de estudo a quem se dedicar a entender funcionamento de fake news

Segundo a Reuters, o ministro de Tecnologia da Informação da Índia, Ravi Shankar Prasad, pediu ao WhatsApp para desenvolver maneiras de rastrear a origem de mensagens definidas como “sinistras”, como as que levaram aos linchamentos no país em 2018.

Prasad afirmou que o WhatsApp se comprometeu a designar um “oficial de queixas” para lidar com os problemas na Índia e que a empresa estava trabalhando com agências do governo para combater o problema, planejando inclusive uma grande ação de conscientização sobre mensagens falsas.

O WhatsApp afirmou em julho deste ano que o encaminhamento de mensagens seria limitado a cinco conversas por vez, sejam elas em grupo ou individuais. A companhia disse também que eliminaria o botão de encaminhamento rápido que vem junto com as mensagens contendo mídia.

Existe ainda uma preocupação de que a disseminação de informações falsas desempenhe um papel prejudicial durante as eleições presidenciais de 2019, com apoiadores de partidos políticos liderando os esforços de desinformação com fins eleitoreiros.

De modo alternativo, sem esperar a boa vontade do Facebook, dono do WhatsApp, o estado de Bihar, no leste da Índia, decidiu usar a plataforma de onde o problema está surgindo para também encontrar soluções. Segundo o India Times, a polícia local criou grupos conjuntos com os moradores em 38 distritos do estado para combater a disseminação de notícias falsas. A implementação da rede de comunicação entre autoridades e população está em andamento, e cada grupo terá entre 100 e 250 membros, com as conversas sendo administradas pelos policiais.

[Reuters]

Imagem do topo: Getty