[Review] Moto E, um ótimo primeiro smartphone

Como deve ser o primeiro smartphone de alguém que até então só teve celulares simples? Bem, ele deve ao menos cumprir com as funções básicas que diferenciam um smart de um featurephone — acessar a internet, rodar apps bacanas e tudo mais. Os aparelhos mais baratos costumam deixar a desejar nesse aspecto — desempenho fraco, lentidão, travamentos e outros problemas que fazem com que os usuários fiquem danados da vida e acabem tendo uma péssima primeira experiência com um smartphone. Com o Moto E, a Motorola quer mudar isso e dar ao usuário de um smartphone econômico uma experiência que pode ser comparada — em vários aspectos — a usar um celular high-end.

É impossível falar do Moto E sem citar os dois acertos recentes da Motorola: o espetacular Moto X, talvez o smartphone que mais tenha trazido coisas novas ao mundo do Android nos últimos anos, e o Moto G, a vitória do bom e barato, o smartphone possibilitou que a Motorola provasse ser possível aliar qualidade e preço acessível. O que o Moto E quer fazer é ir além das conquistas do Moto G, com hardware bom e ainda mais barato, para que todos se sintam bem-vindos ao mundo dos smartphones quando estiverem migrando dos celulares básicos para os mais espertos.

E a Motorola conseguiu novamente. O Moto E não é perfeito, mas suas pequenas falhas não prejudicam o resultado final.

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O que é

O Moto E é um smartphone de baixo custo, o mais novo integrante da excelente linha Moto iniciada ano passado pela Motorola. O aparelho traz boas especificações técnicas e Android puro em um pacote acessível — o modelo sem TV digital custa a partir de R$ 529.

Para quem é

O dono ideal para o Moto E é a pessoa que está entrando no mundo dos smartphones. A Motorola quer que eles tenham uma experiência positiva e de qualidade, e não um dispositivo barato que cause problemas por sua falta de qualidade. O Moto E pode servir como segundo celular para quem já tem um high-end e também pode ser uma opção para um adolescente que precisa ter um celular mas não pode dispor de nenhum modelo exageradamente caro.

Usando

O Moto E não é muito diferente do seu irmão do meio, o Moto G. Ele roda Android 4.4 KitKat e a Motorola promete atualizar para a próxima grande versão do Android o mais rápido possível. O modelo que testamos é o Moto E com TV digital e dois chips, que sai por R$ 599.
Design
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Por fora, ele é praticamente idêntico ao seu irmão Moto G, e não é difícil confundir os dois quando vistos de longe. O Moto E segue a linha de design introduzida no Moto X com seu corpo compacto, traseira levemente curvada para encaixar melhor na mão, e sua parte frontal quase sem bordas laterais, com uma tela que ocupa praticamente todo o espaço disponível.

O Moto E não tem câmera frontal — a câmera fica na traseira e, como falaremos mais para frente, não é muito boa. Na parte frontal inferior, ele tem um speaker que emite som estéreo sem fones de ouvido. A qualidade dos speakers é boa, e você pode muito bem assistir um jogo de futebol pela TV digital quando estiver em casa ou ouvir algo no carro usando esses alto-falantes (no ônibus ou metrô a recomendação é sempre usar fone de ouvido, claro).

A traseira é removível – mas não a bateria – e você pode trocá-la por peças de outras cores. No modelo do Moto E DTV Colors (o que testamos), você ganha três capinhas: preta, azul e amarela. A remoção da tampa traseira é um tanto complicada (como também era no Moto G), mas é uma questão de jeito. Assim que você dominar a arte de tirá-la, poderá trocar a capinha com tranquilidade. Também é preciso retirá-la para inserir os chips microSIM e o cartão micro SD.

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A tela tem 4,3 polegadas e usa uma tecnologia diferente da encontrada no Moto G: a Motorola trocou o display TFT por um IPS LCD com resolução 960×540 e 256 pixels por polegada. É claro que existem muitas telas melhores por aí, mas a do Moto E não decepciona nem um pouco, com uma qualidade de imagem pra lá de decente. O aparelho ainda é protegido pelo vidro Gorilla Glass 3, o que significa que os arranhões não aparecerão com facilidade na tela.
Desempenho e Software
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Seguindo o que fez com seus outros dois smartphones da linha Moto, a Motorola deixou o Android 4.4 KitKat praticamente intocado, e isso é excelente. O sistema do Google é muito bom na forma como o Google idealizou e em hardwares mais baratos, quanto menos coisa for adicionada para atrapalhar, melhor (sim, estou falando com todas as skins). Alguns apps desenvolvidos pela Motorola, que também aparecem no X e no G, estão no E: o Moto Assist, para configurações automáticas; a Migração Motorola, para transferir dados de outro smartphone; e o BR Apps, com dicas de apps nacionais para download. O Moto E ganhou dois novos softwares além desses três: o Ajuda, para suporte, e o Alerta, que permite enviar uma mensagem de texto para outra pessoa para avisar que você está (ou não está) em determinado lugar.

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Tirando isso, temos o Android do Google, com todo o pacote de softwares e quase nada de bloatware. E essa versão “limpa” do sistema contribui muito para o ótimo desempenho do smartphone: sem animações desnecessárias, mudanças toscas de interface e outras coisas, o Moto E roda liso. No meu teste, ele não travou, não apresentou lentidão nem nada, e isso alternando entre apps pela multitarefa. Os apps abrem rapidamente e em segundos você consegue entrar em algum site pelo Chrome, ou checar o Twitter, Facebook, mudar de algum app para o Instagram. Para o uso básico de um smartphone, o Moto E tem um desempenho fantástico e oferece uma experiência semelhante à encontrada em alguns modelos mais caros.

A bateria de 1980mAh, diz a Motorola, dura o dia inteiro. De fato, mesmo usando o Moto E intensivamente durante um dia, percebi que, à noite, a bateria ainda não estava perto de acabar – ela ainda tinha cerca de 40% da carga. Então, o Moto E tem uma bateria competente e aguentará facilmente um dia inteiro sem que você se preocupe com ter de carregá-lo. Um ponto positivo para a Motorola, que já vem há algum tempo acertando a mão nesse quesito – desde o Razr MAXX e sua bateria imortal, passando muito bem por Razr D1, D3, Moto X e G.

Mas, por ser um aparelho básico, o Moto E tem suas limitações. Elas aparecem logo em um quesito importante: armazenamento. A única opção de memória oferecida pela Motorola é de 4GB, e isso é muito pouco. O Android ocupa uma parcela desse espaço – uma grande parcela, aliás, já que pouco mais de 2.2 GB estão disponíveis para seus arquivos e apps. Ao menos dessa vez a Motorola incluiu a entrada de cartão microSD. Talvez seja a primeira decisão da empresa já sem o comando direto do Google, que não é lá muito fã de memória expansível. Então prepare-se para, além de gastar os R$ 600 no Moto E, comprar também um bom cartão microSD para não ficar sem espaço depois de algumas semanas de uso.
Câmera
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O espaço limitado de armazenamento interno é um pequeno problema, mas não é nada perto da câmera do Moto E. Ela é fraca. Muito fraca. A Motorola quis economizar bastante por aqui: não colocou câmera frontal e escolheu um sensor terrível para a traseira. É uma câmera de foco fixo e, no geral, suas fotos vão ficar ruins, sem detalhe algum e com borrões.

O software é o mesmo encontrado no Moto X e Moto E, e preza pela simplicidade da interface. Toque em qualquer parte da tela para fotografar. Puxe um menu escondido no canto esquerdo para mudar as configurações de câmera, ou puxe a galeria de imagens pelo canto direito. É um software bom, mas infelizmente acompanha uma câmera ruim. A Motorola não acertou em cheio em nenhuma das câmeras dos seus dispositivos recentes – Moto X e Moto G também decepcionam um pouco nesse quesito.
TV Digital
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A proximidade da Copa do Mundo fez com que fabricantes voltassem a apostar alto nos recursos de TV Digital em smartphones. A Motorola incluiu a funcionalidade em uma versão exclusiva do seu smartphone para o Brasil  – aparentemente, nós, brasileiros, amamos a ideia de ter TV a qualquer momento. É possível sintonizar canais sem a ajuda de antena externa, mas o sinal fica fraco e muitas vezes você não conseguirá ver nada. Não é um problema, já que o Moto E vem acompanhado de uma pequena antena flexível. Ela se conecta à entrada de fone de ouvido e, em um dos seus extremos, tem também outra entrada para fone de ouvido (assim você pode ver e ouvir um programa sem incomodar todo mundo que está no ônibus).

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O recurso é bastante competente. Abra o app TV Móvel e ele começará a procurar o sinal dos canais. Você pode checar todos os canais encontrados e verificar o que está passando, além de marcar quais são seus favoritos para encontrá-los com mais facilidade no futuro. A qualidade da imagem é satisfatória – ele usa o padrão 1-seg com resolução 320×240. Não é a definição de imagem dos sonhos, mas é o suficiente para ter com o que se distrair quando estiver parado no trânsito. Ainda é possível gravar um programa – você pode agendar pelo app qual canal e qual horário quer gravar.

Conclusão

Após dois golaços com o Moto X e o Moto G, a Motorola voltou a balançar as redes, mas sem a classe dos dois anteriores. Se o Moto X foi um gol de bicicleta em final de Copa do Mundo e o Moto G foi uma bomba no ângulo, o Moto E está mais para um gol de cabeça em um jogo sem muita importância. Ele é bom, apesar de não conseguir alcançar seus irmãos mais velhos. Mas como dissemos no início do review, para alguém que está entrando no mundo dos smartphones, já é o suficiente.

A Motorola diz que o Moto E foi pensado para ser o primeiro smartphone de uma pessoa, e nisso ele é excelente. Desempenho que não deve nada aos grandalhões do mercado, tela bonita e com cores vivas, bateria que aguenta muito bem um dia agitado e bem, uma câmera (fraquíssima, mas uma câmera). Ele recebe muito bem quem está entrando no mundo dos smartphones, e dificilmente alguém vai se arrepender de comprar um.

Mas ele não é incontestável em um ponto: o preço. Por R$ 599, em sua versão com TV digital, ele é pouco mais barato do que o Moto G, que custa a partir de R$ 650 em sua versão básica. Talvez compense mais gastar 50 reais a mais para levar um Moto G com um hardware mais robusto e uma câmera melhor (mas que também não é grande coisa). Isso claro, considerando o seu preço cheio – com promoções, o Moto E fica mais atrativo do que nunca.