Um grupo de cientistas anunciou a criação de uma nova mensagem codificada para se comunicar com potenciais seres alienígenas inteligentes na Via Láctea. O projeto foi liderado pelo astrofísico Jonathan H. Jiang, e teve apoio do Laboratório de Propulsão a Jato, da NASA.

Batizada de BITG (sigla em inglês para “Farol na Galáxia”), a mensagem não foi escrita em inglês ou outro idioma da Terra. Em vez disso, foram utilizados conceitos básicos da matemática e física, estabelecendo um sistema de comunicação universal e que poderia ser decifrado por cientistas alienígenas.

A partir desses códigos, a mensagem traz informações sobre a composição bioquímica da vida na Terra, a nossa posição na Via Láctea, além de representações digitalizadas do Sistema Solar e da superfície terrestre. A mensagem termina com um convite para que qualquer inteligência receptora responda ao contato.

Trecho da mensagem BITG (em amarelo e com fundo roxo) em que é explicado o sistema binário e decimal, incluindo os números primos.

Ao todo, a mensagem é composta por 13 partes, que consistem em aproximadamente 204 mil dígitos binários ou 25,5 mil bytes. A BITG foi pensada para ser transmitida tanto pelo gigantesco radiotelescópio FAST, instalado na China, como pelo americano Allen Telescope Array, controlado pelo SETI. Além disso, os cientistas deixaram instruções para que os radiotelescópios sejam apontados para regiões da galáxia onde é provável que existam planetas com potencial para a vida.

O estudo, publicado inicialmente no ArXiv, propõe que o código desenvolvido pode ser utilizado em mensagens futuras com informações mais complexas, como descobertas científicas terrestres, obras musicais clássicas e até ensinar aos aliens as regras de como jogar xadrez.

Da esquerda para a direita, outras partes da mensagem, onde é apresentado as estruturas do DNA da vida na Terra, a ilustração do nosso Sistema Solar e detalhes sobre a forma humana.

Mensagem para alienígenas

Esta não é a primeira vez que uma mensagem é preparada para seres inteligentes de outros mundos. Em 16 de novembro de 1974, o finado radiotelescópio de Arecibo transmitiu uma série de ondas de rádio – contendo cerca de 200 bytes de dados – na direção do aglomerado globular M13, quem contem milhares de estrelas.

A mensagem começa com uma sequência de pontos representando números de 1 a 10 em código binário. Em seguida, estão representados elementos químicos (em rosa), os nucleotídeos (verde) e o formato (branco e azul) do DNA. O código contém ainda uma silhueta humana (vermelho), uma representação do Sistema Solar (amarelo) e finaliza com o desenho do Arecibo.

A mensagem foi concebida por Frank Drake, cientista famoso que desenvolveu uma equação para calcular a probabilidade de existirem civilizações inteligentes na galáxia e com capacidade para comunicação interestelar.

Só tem um problema: essa mensagem nunca chegará ao seu destino. O aglomerado M13 está localizado a 25 mil anos-luz na Terra, o que significa que demorará cerca de 25 mil anos para a mensagem cruzar o espaço. Até lá, o aglomerado já terá se deslocado da posição atual, com a mensagem encontrando espaço vazio. E, caso exista “alguém” na região, uma resposta demoraria outros 25 mil anos para chegar à Terra.

Contudo, a mensagem é importante porque ela lançou as bases e conceitos utilizados em outras mensagens do tipo, como as colocadas em placas de ouro acopladas a às sondas interplanetárias Pioneer 10 e 11, e as Voyager 1 e 2; assim como a nova mensagem preparada pela equipe liderada por Jiang.

“Esses novos e poderosos faróis, os sucessores do radiotelescópio de Arecibo que transmitiram a mensagem de 1974 sobre a qual essa comunicação expandida se baseia em parte, podem levar adiante o legado de Arecibo para o século 21 com essa comunicação igualmente bem construída da civilização tecnológica da Terra”, afirmam os pesquisadores.

Farol na Galáxia

Vale ressaltar que desde a descoberta do telégrafo, há pouco mais de 100 anos, nossas transmissões de rádio, programas de televisão e outras formas de comunicação sem fio global estão escapando do nosso planeta e viajando entre as estrelas. Por mais que essas transmissões não sejam planejadas ou transmitidas para algum destino em específico, a Terra pode ser vista como um grande farol de rádio no espaço.

Isso significa que qualquer ser extraterrestre inteligente que esteja em um raio de cerca 100 anos-luz do Sistema Solar, poderia detectar os nossos sinais. Claro, os sinais de rádio enfraquecem à medida que se afastam da fonte, porém, eles ainda seriam detectáveis ​​com um receptor suficientemente sensível.

Entretanto, até agora não recebemos nenhuma mensagem ou visita de seres extraterrestres. Será que os alienígenas não estão “escutando” as estrelas? Eles receberam nossas “mensagens”, mas não conseguiram traduzi-las? Ou realmente estamos sozinhos na galáxia? Infelizmente, as respostas para essas perguntas ainda permanecem no campo da suposição.