A gigante do e-commerce Amazon estaria expandindo seus testes de lojas sem caixas para ambientes de varejo maiores, segundo informou o Wall Street Journal no domingo (2).

Segundo o jornal, a Amazon fez progressos em ambientes menores com seu sistema experimental para rastrear o que os compradores pegam das prateleiras, cobrando-os automaticamente conforme eles saem da loja.

Mas fontes disseram ao WSJ que a companhia está tendo dificuldades em fazer o conceito funcionar em uma escala maior, como os estabelecimentos da rede de mercados Whole Foods (subsidiária da Amazon):

A gigante do varejo online está fazendo experimentos com a tecnologia em Seattle, em um espaço maior formatado como uma grande loja, disseram as fontes. Os sistemas rastreiam o que os compradores pegam das prateleiras e os cobram automaticamente quando eles deixam uma loja. Embora a tecnologia funcione bem em seu atual formato de loja pequena, é mais difícil usá-la em espaços maiores, com tetos mais altos e mais produtos, disse uma das fontes, o que significa que pode levar tempo para lançar os sistemas em lojas maiores.

Não está claro se a Amazon pretende usar a tecnologia para o Whole Foods, embora essa seja a aplicação mais provável, caso os executivos possam fazê-la funcionar, segundo as fontes. A Amazon já disse anteriormente que não tem nenhum plano de adicionar a tecnologia ao Whole Foods.

A Amazon já abriu lojas menores da Amazon Go que contam com a tecnologia, onde os compradores escaneiam um código gerado por aplicativo em seus smartphones e depois saem com suas mercadorias sem passar por um caixa humano. A empresa claramente está de olho no mercado de lojas físicas com a aquisição do Whole Foods em 2017 e sua expansão para locais físicos em outros lugares. Além disso, ela estaria de olho na abertura de até três mil estabelecimentos Amazon Go para competir com lugares como 7/11 e CVS.

É fácil entender por que a Amazon está tão interessada em automação: ela já trata sua massa de trabalhadores humanos com salários baixos como máquinas para maximizar a eficiência e o lucro. Portanto, é só um pequeno salto para apenas tratar máquinas como máquinas. Isso não é exatamente um ótimo sinal para os trabalhadores humanos, que deverão ser substituídos em todos os pontos da cadeia de suprimentos da Amazon quando a empresa descobrir como automatizar totalmente as tarefas que ainda exigem envolvimento humano.

Algumas pesquisas sugeriram que as perdas de emprego causadas pela automação poderiam ser compensadas por outros fatores, embora essa transição possa não ser tão ordenada para milhões de pessoas. Também é possível que as empresas simplesmente transfiram funcionários para outros cargos, embora isso possa, no fim das contas, ser só uma jogada de marketing para essas corporações. Há também o argumento de que o crescimento do e-commerce está criando mais empregos na infraestrutura de varejo e distribuição do que vai eliminar, embora um amplo espectro de especialistas que o Gizmodo ouviu no início deste ano parecesse bastante preocupado sobre como tal economia trataria o trabalho.

Enquanto isso, a Amazon parece ainda ter alguns problemas a consertar antes que possa dizer adeus ao enfadonho trabalho humano. Em 2017, o sistema da Amazon Go teria tido problemas com coisas como diferenciar clientes que fossem vagamente parecidos ou que andavam muito rapidamente, assim como mercadorias sendo movidas de lugar. De acordo com o Wall Street Journal, um outro problema que atormentaria qualquer tentativa de automatizar uma rede como o Whole Foods é que nem todos os itens são devidamente empacotados com rótulos rastreáveis por máquinas, como, por exemplo, produtos vendidos por quilo.

[Wall Street Journal via The Verge]