A loja que vende de tudo parece estar com um sério problema de alimentos vencidos.

Uma extensa reportagem da CNBC, em parceria com a empresa de análise de dados 3PM, publicada no domingo (20), descobriu que a Amazon está “cheia” de listagens de produtos de consumo que estão muito além das datas de validade.

De acordo com a reportagem, o sistema está criando produtos não apenas para consumidores que estão recebendo alimentos estragados ou não comestíveis encomendados por meio da gigante da tecnologia – incluindo papinhas para bebês, cremes e carne seca -, mas para as marcas desses produtos que têm encontrado dificuldades para lidar com clientes frustrados e reputação prejudicada, apesar de esses itens serem vendidos por comerciantes terceirizados.

Ao avaliar o site, ler as resenhas e falar diretamente com os clientes que receberam produtos estragados ou vencidos, a CNBC descobriu um número preocupante de relatos relacionados a produtos vendidos meses após a data de validade. Como exemplo, o site apontou para uma listagem da Amazon em destaque para garrafas de água Fiji com dezenas de avaliações que afirmam que as garrafas chegam danificadas ou deformadas e que o conteúdo tem gosto de água da torneira. A maioria dessas avaliações insiste que os envios são falsos, em vez da autêntica água Fiji.

Como outro exemplo, a CNBC apontou para o chá Teavana Beach Bellini, com o rótulo “revenda proibida” na embalagem e com várias avaliações afirmando que o chá tinha odor “químico”. Um avaliador comparou o cheiro a removedor de esmalte. Como observou a CNBC, a Starbucks, controladora da Teavana, anunciou em 2017 que estava fechando todas as suas 379 lojas Teavana. A CNBC informou que vendas de liquidação podem levar a produtos vencidos na Amazon.

Quando procurado para comentar sobre o rótulo de “revenda proibida” nas imagens do chá no site, um porta-voz disse ao Gizmodo que todo produto vendido pela Amazon deve cumprir as leis aplicáveis ​​e as políticas da empresa, incluindo aqueles marcados como proibidos para revenda.

O problema é evidentemente pior do que alguns produtos ruins aqui ou ali. De acordo com a CNBC, a 3PM analisou os 100 itens alimentares mais vendidos no site e descobriu que pelo menos 40% deles tinham cinco ou mais avaliações reclamando que os itens estavam vencidos.

Em comunicado por e-mail, um porta-voz da Amazon disse que a empresa exige que vendedores terceirizados “cumpram diretrizes estritas de qualidade do produto” e disse que a empresa possui “processos proativos”, que incluem sistemas de análise de IA e humanos, para verificar as datas de validade dos produtos.

“Se descobrirmos que um produto não atende às nossas diretrizes, o removemos da venda e tomamos as medidas apropriadas contra o vendedor, o que pode incluir a remoção de sua conta”, disse o porta-voz. “Se os clientes tiverem preocupações com os itens que compraram, incentivamos que entrem em contato diretamente com o Serviço de Atendimento ao Cliente para investigarmos e tomarmos as medidas apropriadas…Com a Garantia A-to-Z, os clientes estão protegidos e receberão um reembolso se tiverem problemas com um produto, seja ele da Amazon ou de um terceiro”.

Porém, relatórios no marketplace da Amazon sugerem que a empresa precisa fazer mais para policiar a venda de itens em seu site. Em agosto, o Wall Street Journal informou que identificou 4.152 produtos à venda no site com etiquetas fraudulentas ou consideradas inseguras ou proibidas pelos reguladores federais. Uma vez sinalizado para a Amazon pelo jornal, o Journal disse que 57% dos itens encontrados tiveram suas descrições alteradas ou foram removidos.

No comunicado da empresa, o porta-voz da Amazon disse que a “principal prioridade da companhia é garantir que os clientes recebam produtos seguros e de alta qualidade” quando fizerem um pedido pelo site. Mas, juntos, esses dois relatórios parecem indicar que a Amazon preferiria lucrar agora e pedir desculpas mais tarde do que cumprir essa alegação.

Ah, e talvez seja uma boa ideia verificar a data de validade do chá que você acabou de comprar.