Recentemente, o Lollipop se tornou a versão mais popular do Android: ela está presente em 36% dos dispositivos com acesso à Play Store (contra 34% do KitKat e apenas 2% do Marshmallow). Isso ocorreu dezesseis meses após seu lançamento, o que é bastante – e é algo recorrente em se tratando do Android.

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O Gizmodo Brasil analisou a distribuição de versões do Android para responder à pergunta: quantos meses se passam entre o lançamento do código-fonte e o momento em que a versão se torna a mais popular?

Descobrimos que, em média, são 11 meses, variando de seis a até dezoito meses, como você pode ver na tabela abaixo. (Os números são informados mensalmente pelo Google, e estão disponíveis nesta planilha adaptada deste trabalho feito pelo desenvolvedor Steve Lhomme.)

Se você considerar apenas as versões 4.x em diante, a média salta para quase 15 meses. Então, caso o padrão se mantenha, o Android N – a ser lançado até setembro – só deve se tornar a versão mais popular no início de 2018.

Em alguns casos, uma versão do Android nunca se torna a mais popular. É o caso do Ice Cream Sandwich: a cada mês, os números do Android 4.0 sempre são inferiores aos do Gingerbread (2.3). (Não incluímos o Honeycomb na lista porque ele ficou limitado a tablets, e porque o acesso a seu código-fonte foi bem restrito.)

O gráfico a seguir, criado pelo site Bidouille.org, mostra a distribuição de versões do Android. Repare que há um padrão consistente: cada nova versão cresce devagar, depois tem uma expansão rápida e atinge um pico – é geralmente quando chega a nova versão. Depois vem o declínio.

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Por que novas versões do Android demoram tanto para se tornarem populares? Nós entramos em detalhes aqui; basicamente, isso está relacionado à forma em que o Google distribui o sistema.

A cada nova versão do Android, as fabricantes de componentes precisam atualizar o middleware (código que permite ao sistema operacional se comunicar com o hardware); fabricantes de hardware precisam atualizar a skin customizada; e cada operadora precisa testar o software – seja de um dispositivo novo ou atualizado – antes de distribuí-lo.

Desde o Ice Cream Sandwich, o Google vem trabalhando mais de perto com as empresas para acelerar esse processo. No entanto, as fabricantes e operadoras nem sempre priorizam atualizações de dispositivos atuais, e preferem lançar produtos com versões antigas para não desperdiçar investimentos.

Enquanto isso, uma “ilusão de óptica” faz a Apple parecer mais rápida para os usuários. Quando uma nova versão do iOS é anunciada, ela está basicamente pronta: já está com o middleware testado, não tem customizações e tem aprovação das operadoras.

De fato, o iOS 9 levou apenas cinco dias para se tornar a versão mais popular. Enquanto isso, o iOS 8 precisou de 26 dias* para atingir o mesmo marco: ele sofreu com vários problemas técnicos, e exigia muito espaço para ser instalado sem o iTunes. (A Apple só passou a informar a porcentagem de usuários em cada versão em 2013.)

Quanto ao Windows Phone, a Microsoft não informa dados oficiais sobre distribuição de versões, mas o AdDuplex tem um levantamento que joga luz nessa questão.

O Windows Phone 8.1 foi lançado como Preview em abril de 2014; se tornou uma atualização oficial em julho do mesmo ano; e ultrapassou o Windows Phone 8.0 em outubro, segundo o AdDuplex.

Atualmente, o Windows Phone 8.1 está presente em 81,7% dos dispositivos analisados pela AdDuplex, enquanto o Windows 10 Mobile – em versão Preview e ainda sem data precisa de lançamento – chega a 5,3%.

São processos diferentes de atualização, e quem quer estar sempre à frente no Android tem duas opções: comprar um dispositivo Nexus, ou usar métodos não-oficiais para obter a versão mais recente, como o CyanogenMod.

*O iOS 8 foi lançado em 17 de setembro de 2014 e atingiu 48% dos dispositivos no dia 13 de outubro. O iOS 7 estava em 47%; e versões antigas, em 5%.

Foto por Chao-Wei Juan/Flickr