A Apple acaba de anunciar que sua linha iMac terá uma atualização significativa, com direito a processadores Intel Core i9 octa-core de nona geração e a placas de vídeo AMD Radeon Vega. Isso é importante para usuários avançados do iMac, mas, para mim, que não estou nesse grupo, é um pouco constrangedor. A Apple vai continuar a enfiar novos chips em seu desktop principal e ignorar inovações de design?

Sei lá. Essa nova atualização do MacBook é legal, já que os processadores i9 da Intel são ótimos componentes de hardware. Agora você pode comprar um iMac de 27 polegadas com um display Retina de 5K, processador i9 da nona geração de 3,6GHz e uma GPU Radeon Pro Vega 48 por US$ 3.150. Se você escolher as configurações máximas, colocando 64 GB de RAM e uma unidade SSD de 2 TB, o iMac custará US$ 5.250.

Essa não é a opção mais barata, claro. A Apple está oferecendo uma série de novas configurações para seus iMacs de 27 e 21,5 polegadas, a partir de US$ 1.300.

No Brasil, o computador ainda não está disponível na loja online da Apple, e apenas os preços das configurações básicas foram divulgados. O mais barato, com tela Retina 4K de 21,5 polegadas, processador i3 quad-core de oitava geração, 8 GB de RAM e placa de vídeo Radeon Pro 555X custa R$ 11.699,00

Já o modelo mais caro tem tela Retina de 27 polegadas e resolução 5K, processador i5 hexa-core de nona geração, 8 GB de RAM, placa gráfica Radeon Pro 580X e Fusion Drive de 2 TB. Essa configuração começa em R$ 20.199. Só saberemos quanto ela custa com as especificações completas quando o computador começar a ser vendido por aqui.

Em todos os casos, os novos iMacs são parecidos com os antigos, mas eles têm novidades por dentro. Eles também estão a par da linha Mac Mini, que foi atualizada recentemente. O fato de o Mac Mini ter passado cinco anos sem uma atualização pode levar você a se perguntar se a Apple ainda se preocupa com esses computadores de mesa. Afinal, o futuro da empresa está nos serviços.

Sempre parece estranho que a Apple goste de colocar novos chipsets em computadores antigos e chamá-los de novos. “Atualizado” é a palavra que as equipes de relações públicas gostam que usemos. Como alguém que trabalhou em um iMac de 2012 desde que ele era novo, também tenho que admitir que não tenho muitas reclamações sobre o design do computador. Parecia um clássico instantâneo sete anos atrás, embora as notícias de hoje me deixem imaginando o que estou perdendo com tantas inovações no design de desktop.

Leve em consideração o Microsoft Surface Studio 2, por exemplo. Esse também é um computador bonito que consegue simplesmente fazer coisas que um iMac não consegue. O Surface Studio 2 é como seria se a Apple criasse um iPad gigante, colocasse um suporte perfeito, desse os mesmos tipos de gráficos e poder de computação e o chamasse de desktop. Um iPhone gigante em um suporte seria, honestamente, mais interessante do que o design atual do iMac.

Ao mesmo tempo, não estou disposto a jogar meu iMac pela janela. É um ótimo computador da mesma forma que um iPhone 5 é um ótimo telefone que provavelmente ainda pode fazer chamadas telefônicas.

As pessoas que são fãs da inovação da Apple podem se sentir desapontadas com o fato de a empresa continuar a reciclar designs antigos, acrescentando novos componentes — muitos dos quais estão longe de serem os melhores — e chamando o produto final de “última geração”. É isso que a nova linha iMac parece.

Claro, você pode comprar um ótimo computador de mesa por pelo menos R$ 10 mil. Se você quer muito o melhor hardware possível, pode comprar um iMac Pro com 256 GB de memória por quase R$ 100 mil. Ele ainda terá a mesma cara do iMac 2012 que está na minha mesa, no entanto.

Claro, design não é tudo em um computador, e eu sou o primeiro a admitir isso. Porém, depois de muitos anos de designs de desktop estagnados, é preciso imaginar o que a Apple está querendo evitar. A empresa está tentando extrair o máximo de receita de um design famoso? Ou simplesmente tem medo de arriscar ao criar algo absolutamente novo e verdadeiramente revolucionário?