Se você já tem até receio de atender o celular por causa das chamadas robotizadas que ficam mudas e caem logo após você deslizar para o lado, você não está sozinho. Já mostramos aqui que o Brasil é um país que sofre muito com essa situação, mas o problema também está crescendo nos Estados Unidos. Mais especificamente, um relatório recém-divulgado descobriu que 26,3 bilhões de chamadas robotizadas foram feitas para números de telefone norte-americanos em 2018, representando um aumento de 46% em relação a 2017, que teve 18 bilhões. Credo.

O relatório foi compilado pelo Hiya, um aplicativo de monitoramento de chamadas de spam. Nele, descobriu-se que o norte-americano médio recebeu dez chamadas de spam por mês, com os principais códigos de área visados pelos autores de spam vindo principalmente do Texas. Dallas (214), Fort Worth (817) e San Antonio (210) lideraram a lista.

Os dados são alarmantes, embora um relatório de novembro da Comissão Federal de Comércio dos EUA (FTC) sobre o “Registro de Bloqueio de Chamadas” (Do-Not-Call Registry) tenha mostrado uma queda geral nas reclamações apresentadas no ano fiscal de 2018. De outubro de 2017 a setembro de 2018, a agência recebeu cerca de 5,7 milhões de reclamações, das quais 3,8 milhões eram relatos de chamadas robotizadas e 1,9 milhão de chamadas ao vivo. Esse número é inferior ao de 7,1 milhões de queixas no ano fiscal de 2017, das quais 4,5 milhões eram relativas a chamadas robotizadas. Porém, ainda que o número total de queixas possa ter diminuído, a porcentagem de queixas de chamadas robotizadas aumentou de cerca de 63% do total para 66%. E, segundo o banco de dados atualizado da FTC para o Do-Not-Call Registry, os tipos mais comuns de chamadas robotizadas recebidas eram relacionadas principalmente a redução de dívidas, prescrições médicas e impostores.

Enquanto isso, a Comissão Federal de Comunicações (FCC) informou que recebeu mais de 52 mil queixas sobre spoofing de identificação de chamadas somente em 2018.

O problema com chamadas robotizadas ganhou atenção nacional nos Estados Unidos e criou pressão federal para resolver o problema. Embora tanto a FTC quanto a FCC tenham sido afetadas pela paralisação do governo, foi apresentado um projeto de lei do Senado que poderia atingir quem executa ligações robotizadas com uma multa de US$ 10 mil por cada chamada.

Além disso, há esperança para 2019. Em novembro, o presidente da FCC, Ajit Pai, pediu às operadoras que adotassem o protocolo SHAKEN/STIR, que atua como um tipo de autenticação de chamador. A T-Mobile é atualmente a primeira operadora americana a implementar o SHAKEN/STIR, anunciando no início deste mês que os usuários começariam a ver avisos de “Chamada Verificada” em telefones compatíveis.

[Verge, Washington Post]