O surto de coronavírus já foi comparado várias vezes à epidemia de SARS (Síndrome Respiratória Aguda Grave) de 2002-2003 por razões óbvias. Ambas as doenças tiveram sua origem na China, são causadas por um vírus semelhante e acredita-se que tenham começado em mercados de animais selvagens. No entanto, novos dados divulgados neste fim de semana revelam que o coronavírus já matou mais pessoas na China que a SARS em todo o mundo.

No domingo (9), a Organização Mundial da Saúde (OMS) informou que 812 pessoas morreram de coronavírus na China, superando as mortes causadas pela SARS há quase duas décadas. A SARS afetou 8.098 pessoas em todo o mundo e matou 774, de acordo com o Centers for Disease Control dos EUA. Atualmente, existem 37.558 casos confirmados de coronavírus em todo o mundo. Desses casos, 37.251 estão na China, região que registrou quase todas as mortes por coronavírus.

Em seu Relatório de Situação, a OMS afirma que apenas uma pessoa morreu de coronavírus fora da China.

Mas as mortes causadas por cada doença não são a única diferença. O Dr. W. Ian Lipkin, diretor do Centro de Infecção e Imunidade da Universidade da Columbia, disse ao Wall Street Journal que o coronavírus tem uma taxa de mortalidade — que se refere ao número de pessoas infectadas que morrem da doença — de cerca de 2%. A SARS teve uma taxa de mortalidade de aproximadamente 10%.

Além disso, o coronavírus parece ser altamente transmissível. A SARS infectou 8.098 pessoas durante um período de oito meses em 2002-2003. O coronavírus, por outro lado, infectou 37.558 indivíduos nos aproximadamente dois meses desde que o primeiro caso foi diagnosticado em Wuhan, a cidade onde a doença foi detectada pela primeira vez.

Nos últimos dias, o número de novos casos de coronavírus na província de Hubei, cuja capital é Wuhan, se estabilizou. No entanto, as autoridades da OMS pedem que as pessoas não se deixem levar pelas notícias positivas, pois esses surtos são imprevisíveis.

“Temos que receber esta informação com cautela, pois a doença pode mostrar estabilidade por alguns dias e, em seguida, disparar”, disse o Dr. Tedros Adhanom Ghebreyesus, diretor geral da OMS. “Eu já disse isso muitas vezes: está lento agora, mas pode acelerar.”

Enquanto isso, na China, o Wall Street Journal relata que os governos locais de longe da província de Hubei, o centro do surto, estão tomando medidas drásticas para isolar seus moradores. Alguns proibiram que pessoas sem documentos de residência local entrassem em suas cidades, enquanto outros estão apenas dando permissão a uma pessoa por família para deixar suas casas a cada poucos dias para comprar itens necessários.

Esta semana será importante para a China pois muitas pessoas retornarão aos seus locais de trabalho. As autoridades chinesas estenderam o feriado do Ano Novo Lunar até 2 de fevereiro para ajudar a conter o surto e mantiveram a maioria das empresas fechadas depois disso.